Jair Ventura, técnico do Vitória, se encontra em uma fase considerada por ele como a mais madura de sua carreira, após uma trajetória de dez anos à frente de clubes como Botafogo, Corinthians, Santos e, atualmente, Vitória. Ele assumiu o comando de várias equipes em situações críticas, tendo sido escalado para evitar rebaixamentos. Segundo Jair, a experiência adquirida ao longo do tempo e as dificuldades enfrentadas contribuíram para seu crescimento profissional. Ele cita Zagdallo como uma de suas inspirações e acredita que as redes sociais têm impacto negativo no ambiente futebolístico. Além disso, defende que a chegada de treinadores estrangeiros deve ser baseada na competência e não na nacionalidade.
Neste ano, Jair Ventura levou o Vitória ao título da Copa do Nordeste e às quartas de final da Copa do Brasil, superando adversários como o Flamengo e o Athletico-PR. Ele destaca que o sucesso de um treinador depende de sua capacidade de potencializar o desempenho dos atletas, ressaltando que o protagonismo é, sem dúvida, dos jogadores.
Em uma coletiva de imprensa, ele reafirmou sua evolução ao longo da carreira, comparando-se a um vinho que melhora com o tempo. Em resposta a uma pergunta sobre se este seria seu melhor momento, Jair afirmou que sempre busca evoluir e adaptar seus métodos às diferentes culturas dos clubes em que passa, ressaltando as mudanças na forma de treinar em comparação a dez anos atrás.
Ao analisar as mudanças no futebol moderno, Ventura apontou que o jogo tornou-se mais físico e tático, ressaltando a importância dessa evolução em relação a décadas passadas. A diminuição do espaço no campo e a ascensão da força física dos jogadores têm sido notáveis. Ele acredita que o tradicional “camisa 10” está em extinção, com times priorizando jogadores mais versáteis e físicos.
Sobre o papel do treinador, Jair acredita que é crucial potencializar os atletas, mas que a responsabilidade pela performance em campo cabe a eles. Ele se esforça para criar um ambiente de trabalho leve e saudável, evitando pressão excessiva sobre os jogadores. Na relação com os atletas, procura conhecer suas personalidades e adaptar sua abordagem de acordo com as necessidades individuais de cada um.
Ventura se posiciona favoravelmente à presença de treinadores estrangeiros no futebol brasileiro, mas ressalta que a qualidade profissional deve prevalecer sobre a nacionalidade. Ele considera que o sonho de treinar a seleção brasileira é prematuro no momento, focando em dar o seu melhor no Vitória. Com passagens marcantes por grandes clubes, hoje ele está completamente dedicado à equipe baiana, sem buscar retornar a equipes anteriores.
Por fim, comentou sobre a pressão no futebol, especialmente na atualidade, onde a presença das redes sociais acentua a cobrança sobre resultados. Para ele, a crítica ao trabalho deve ser separada da ofensa pessoal, e a tendência é que essa pressão aumente com o tempo. Jair Ventura se mostra ciente dos desafios, mas acredita que cada profissional deve ter a habilidade de conviver com essa realidade.



