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domingo, setembro 27, 2026
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Márcio Port: O Empresário Capixaba e sua Maior Adoção do Modelo Cooperativo

Crédito mais acessível, estreitamento de laços com os clientes e foco na expansão são as premissas do Sicredi, que intensificou sua atuação no Espírito Santo desde sua chegada ao estado em 2021. Atualmente, a instituição abrange cerca de 80% dos municípios capixabas e possui uma carteira de crédito estimada em aproximadamente R$ 5 bilhões. Vale destacar que entre os associados, as pessoas jurídicas representam 35% do total de membros do Sicredi na região.

Márcio Port, presidente da Central Sicredi Sul Sudeste, está atento a esse crescimento e enfatiza que a combinação de presença física, relacionamento próximo e ferramentas digitais é essencial para o cooperativismo financeiro. Esta Central atua como um pilar importante dentro do sistema Sicredi, congregando mais de 40 cooperativas e 4,2 milhões de associados em quatro estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Espírito Santo.

Segundo Márcio, o modelo cooperativo encontra um cenário propício no Espírito Santo, onde as cooperativas respondem por cerca de 15% do crédito total concedido, quase o dobro da média nacional.

Ele também mencionou as oportunidades geradas pelos grandes investimentos planejados para o Norte do Espírito Santo, destacando que micro, pequenas e médias empresas poderão ser as mais beneficiadas com o novo ciclo de desenvolvimento da economia local.

Entrevista com Márcio Port, presidente da Central Sicredi Sul Sudeste:

O Sicredi tem avançado rapidamente no Espírito Santo. Em qual fase se encontra essa expansão?

Estamos presentes em 80% dos municípios capixabas. Agora, nosso objetivo é explorar o potencial das agências já estabelecidas para atrair um maior número de associados ao Sicredi.

Atualmente, as pessoas jurídicas correspondem a 35% dos associados do Sicredi no Espírito Santo, e percebemos um crescimento claro neste setor.

Qual o valor da carteira de crédito no Estado?

Acreditamos estar próximos de R$ 5 bilhões em crédito liberado no Espírito Santo. Nossa operação é ainda recente, com muitas agências sendo inauguradas entre 2025 e 2026, o que indica um grande potencial de crescimento pela frente.

No que diz respeito ao público rural, já ocupamos a terceira posição nas instituições financeiras que mais liberam crédito nesse setor no estado. Apesar de nossa recente implementação, os números já demonstram relevância.

No Espírito Santo, o cooperativismo é muito forte, e o entendimento sobre cooperativas e instituições financeiras cooperativas é significativamente maior em comparação com outras regiões do país.

O estado figura na quinta posição em participação de mercado, onde cerca de 15% do crédito concedido provém de cooperativas, enquanto a média nacional é de aproximadamente 8%, facilitando nossa entrada, uma vez que não precisamos iniciar do zero na explicação do conceito de cooperativa.

Em tempos de maior preocupação com instituições financeiras, como a confiança se destaca?

A confiança é fundamental. Existe a desconfiança, além da falta de entendimento sobre o que é uma cooperativa.

Atualmente, muitas pessoas confiam mais em aplicativos disponíveis em seus celulares do que em uma instituição financeira com uma agência física em seu município, onde atendem pessoalmente.

Hoje, o Sicredi ocupa o posto de sexta maior instituição financeira do Brasil, gerindo cerca de R$ 500 bilhões em ativos. Não se trata mais de uma instituição financeira de menor expressão.

A palavra-chave é equilíbrio. Temos boas avaliações sobre nossos aplicativos, e a tecnologia digital é um suporte eficiente no cotidiano financeiro. Transações como transferências, pagamentos ou Pix são realizadas com facilidade pelo celular, eliminando a necessidade de ir à agência para essas operações básicas.

Entretanto, no momento em que um empresário ou agricultor procura um crédito mais complexo, de longo prazo e taxas ajustadas, o contato pessoal é muitas vezes crucial. Processos envolvendo BNDES ou crédito rural, por exemplo, demandam uma conexão geográfica.

Um dos pontos mais fortes do cooperativismo reside no relacionamento. Estar em um estado onde as relações interpessoais são tão valorizadas, como no Espírito Santo, faz uma grande diferença.

Nossos gerentes frequentemente acompanham os produtores rurais em atividades práticas, participando de dias de campo, visitando propriedades e aprendendo sobre novas tecnologias junto aos produtores, ao invés de aguardarem que os associados venham até a agência.

Observamos que os empresários capixabas têm demonstrado uma adesão significativa ao modelo cooperativo, provavelmente devido ao aspecto relacional. Atualmente, as pessoas jurídicas constituem 35% dos associados do Sicredi Espírito Santo, superando a média nacional. Além disso, as regionalidades do estado apresentam características distintas.

A descentralização é uma das grandes forças do cooperativismo. A presença de cinco cooperativas em diferentes regiões garante que cada uma possa entender e atender às necessidades locais.

Como o Sicredi pode auxiliar famílias e empresas a superarem o endividamento?

Sair do endividamento tem se tornado um desafio. Em financiamentos de longo prazo, frequentemente conseguimos taxas mais acessíveis. No entanto, quando se trata de quitar dívidas anteriores, as taxas geralmente são mais elevadas e onerosas.

Com os altos juros, torna-se ainda mais complexo sair da inadimplência. Por isso, enfatizamos a educação financeira, o controle de receitas e despesas, além da conscientização sobre o consumismo, temas de grande relevância para nós.

Como transformar grandes investimentos em oportunidades para fornecedores locais?

Quando grandes investimentos são anunciados, muitas vezes o foco se volta às grandes empresas. No entanto, essas empresas estimulam um comércio local mais amplo, englobando indústrias, serviços, redes hoteleiras e alimentação. É precisamente nesse segmento menor que o Sicredi atua.

Nosso trabalho se concentra em micro, pequenas e médias empresas, que normalmente enfrentam obstáculos para negociar com grandes instituições financeiras e demandam um nível elevado de confiança, que não se constrói por meio de aplicativos, mas sim por meio de relações diretas.

O Norte do Espírito Santo receberá importantes projetos industriais. Qual a visão do Sicredi sobre este movimento?

O Espírito Santo tem apresentado um crescimento superior à média nacional nos últimos anos, e a região Norte se prepara para receber significativos investimentos. Isso representa um progresso e pode ajudar a reduzir as disparidades regionais no estado.

Temos uma cooperativa situada em Linhares, acompanhando de perto todo o desenvolvimento da região Norte e do Litoral Norte, com um profissional dedicado a negócios e relações na área, que está sempre a par das novidades e projetos em andamento.

Quais são as primeiras oportunidades que surgem com a chegada de um grande projeto em uma região?

Quando um projeto de grande porte é anunciado, um dos primeiros desafios costuma ser a infraestrutura de hospedagem e alimentação, pois muitas vezes o que existe não é suficiente para atender à demanda.

Dar suporte neste momento inicial, financiando estabelecimentos que receberão visitantes e prestadores de serviços, pode ser um diferencial importante que podemos oferecer.

Como o Sicredi analisa o mercado imobiliário capixaba, que está em plena valorização?

O mercado imobiliário está intimamente vinculado ao turismo e às potencialidades turísticas do Espírito Santo. Ao me mudar para cá, percebi o quanto mesmo os moradores capixabas desconhecem o grande potencial de seu estado.

As belezas naturais e o turismo têm um imenso potencial de crescimento, impactando também no valor dos imóveis. Há benefícios com o desenvolvimento, mas também um aumento no custo de vida.

Ademais, quando o estado cresce continuamente acima da média nacional, atrai pessoas em busca de moradia, novas oportunidades de negócios e desenvolvimento de projetos.

Como financiar o produtor de café amid através das oscilações de preços?

Recentemente, o produtor de café experimentou um período de preços elevados, talvez os mais altos já registrados. Com a saca atingindo valores superiores a R$ 2 mil, atualmente os preços estão em um novo patamar. Durante esse tempo, observamos a entrada de investidores não familiarizados com o setor, adquirindo terras em meio a preços inflacionados, o que pode não ser o melhor momento para novos entrantes.

De que forma o conhecimento da cultura local de café pode mitigar riscos?

Desde 2019, temos nos aprofundado no setor de café. Inicialmente, o Sicredi não tinha grande conhecimento sobre esta cultura. Ao ingressarmos em Minas Gerais, começamos a compreender melhor o café e, ao chegarmos ao Espírito Santo em 2021, sua presença se tornou novamente significativa em nossas operações.

Aprendemos a entender o ciclo da cultura, como as variações no clima podem afetar a produção, pois o café necessita de umidade adequada, especialmente entre dezembro e fevereiro. Esse entendimento é crucial para oferecer um financiamento adequado ao produtor.

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