O presidente da Argentina, Javier Milei, elogiou a ditadura chilena durante um evento realizado em Santiago no último dia 3. Ele descreveu o regime de Augusto Pinochet — que ficou marcado por diversos casos de tortura, assassinatos e desaparecimentos forçados — como um “período de estabilidade e crescimento” para o Chile.
Milei argumentou que, sob o governo de Pinochet, o Chile se tornou um modelo econômico na região, mas lamentou que o país tenha “caído na farsa do socialismo do século 21”, assim como outros na América Latina.
Essa ditadura, que durou até 1990, foi responsável pela supressão de direitos humanos, do devido processo legal e das liberdades política e de expressão. A manifestação de Milei ocorreu durante o Foro Madrid, um evento promovido pela Fundação Disenso, que está alinhada ao deputado espanhol Santiago Abascal, do partido Vox. A data do evento coincidiu com a proximidade da lembrança dos 53 anos do golpe que depôs Salvador Allende e instaurou a ditadura de Pinochet.
Em sua palestra, o presidente argentino fez um apelo à direita da América Latina para que se una contra a esquerda, que ele acusou de “colonizar” instituições, universidades e meios de comunicação. “O mal organizado é derrotado pelo bem organizado. Não há outra forma”, declarou.
Milei também utilizou o Chile como um exemplo do ressurgimento de ideais conservadores na América Latina, destacando a ascensão de José Antonio Kast ao poder em março. “O Chile voltou a apostar nas ideias da liberdade. Assim como a América Latina está despertando”, afirmou, mencionando também líderes conservadores no Peru e na Colômbia.
O presidente argentino é conhecido por suas tentativas de relativizar as ditaduras na região, frequentemente acompanhadas por críticas à esquerda. Após sua fala, Milei manteve uma conversa de cerca de 40 minutos com Kast no Palácio de La Moneda, sem se dirigir à imprensa ao deixar o local.
Ambos os presidentes compartilham uma abordagem favorável ao livre mercado e uma postura firme contra criminalidade e imigração ilegal, além de serem aliados significativos do governo americano na América Latina, participando da iniciativa conhecida como Escudo das Américas. O presidente dos Estados Unidos afirmou recentemente ter boas relações com países da região, mesmo diante de tensões com o Brasil.



