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sexta-feira, setembro 4, 2026
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Mounjaro é mais eficaz para algumas pessoas? Estudo sugere explicação

A obesidade é uma doença crônica multifatorial que afeta indivíduos de diversas idades e grupos sociais em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 650 milhões de pessoas convivem com essa condição.

O tratamento da obesidade pode incluir mudanças no estilo de vida, como a adoção de uma alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos, além do uso de medicamentos. Nos últimos anos, novos medicamentos como os análogos de GLP-1, incluindo a semaglutida e a tirzepatida, têm ampliado as opções de tratamento, proporcionando uma alternativa eficaz no controle da doença. Esses fármacos imitam a ação do hormônio intestinal GLP-1, que ajuda a reduzir o apetite e a retardar o esvaziamento do estômago, resultando em uma sensação prolongada de saciedade.

A tirzepatida apresenta um diferencial por atuar também como um análogo do GIP, outro hormônio intestinal que potencializa o efeito sobre o metabolismo e a redução do apetite. Entretanto, a resposta ao medicamento pode variar entre os pacientes. Um novo estudo realizado por pesquisadores da Mayo Clinic pode trazer aprofundamentos sobre essa questão.

Durante a pesquisa, os cientistas analisaram 483 adultos com obesidade e identificaram um grupo chamado de “intestino faminto”, que apresentou uma resposta mais intensa à tirzepatida. Embora os pesquisadores notem que ainda são necessários estudos maiores para validar esses resultados, a pesquisa foi publicada em uma revista científica respeitada.

Os investigadores observaram características como a velocidade de esvaziamento do estômago e os níveis de GLP-1 dos participantes. Assim, eles categorizaram os indivíduos em três grupos, sendo que o “intestino faminto” era composto por 130 pessoas com esvaziamento gastrintestinal mais rápido, maior sensação de fome após as refeições e níveis de GLP-1 abaixo do esperado. Por exemplo, os níveis de GLP-1 neste grupo ficaram cerca de 38% inferiores em comparação aos demais.

A resposta ao tratamento com tirzepatida foi estudada em 61 participantes. Após seis meses de uso, aqueles com o perfil “intestino faminto” perderam, em média, 21,5% de seu peso corporal, enquanto os outros grupos perderam 12,1% e 10,8%. A diferença já era notável após três meses de tratamento.

A diretora de uma associação especializada em obesidade afirmou que esse perfil pode responder melhor a medicamentos como o Mounjaro devido ao seu efeito em prolongar a saciedade. Contudo, ela destacou que a análise da resposta à tirzepatida apresentou limitações, uma vez que envolveu apenas uma fração pequena dos participantes e não foi realizada uma distribuição aleatória. Portanto, outros fatores podem ter contribuído para a perda de peso observada, e os resultados não dão suporte suficiente para prever quem terá uma melhor resposta ao tratamento com base somente nesse perfil.

O conceito de “intestino faminto” descreve um dos fenótipos da obesidade, que se refere a alterações nos mecanismos que favorecem o surgimento e a manutenção da doença. De acordo com a especialista, este perfil é caracterizado pela dificuldade em alcançar a saciedade e uma percepção reduzida de que é hora de parar de comer após as refeições.

Outros fenótipos também foram mencionados, como o comedor compulsivo, que apresenta dificuldade em controlar a quantidade de alimento ingerido, mesmo na ausência de fome. Além disso, existe o perfil de menor gasto energético, cujos indivíduos queimam menos calorias ao longo do dia, facilitando o ganho de peso e dificultando o emagrecimento.

Compreender os mecanismos diversos envolvidos na obesidade pode contribuir para um tratamento mais personalizado. A especialista ressalta que perfis como o “intestino faminto” podem auxiliar na escolha da terapia, embora não devam ser considerados de forma isolada. A condição do paciente é complexa, e as subclasses de fenótipos podem se intercalar e até mesmo mudar ao longo do tempo.

Para determinar qual medicamento prescrever, também são levados em conta outros fatores, como a presença de diabetes, doenças concomitantes, tratamentos anteriores, resposta ao medicamento e possíveis efeitos colaterais.

A medicina de precisão vai além de fatores genéticos ou mudanças metabólicas; é um conjunto abrangente de informações e avaliações que influencia a personalização do tratamento para cada paciente.

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