A exposição à fumaça do cigarro pode impactar a saúde mesmo de pessoas que nunca fumaram. Uma pesquisa publicada em setembro de 2026 na revista The Lancet Public Health revela que o fumo passivo é responsável por aproximadamente 1,6 milhão de mortes anuais globalmente.
Este alerta é especialmente relevante no Dia Mundial do Pulmão, celebrado em 25 de março, e destaca um risco que muitas vezes está presente no ambiente doméstico: viver com alguém que fuma. O fumo passivo ocorre quando uma pessoa inala a fumaça liberada por um cigarro aceso ou exalada por outro fumante. De acordo com a pneumologista Jéssica Polese, isso pode ser parte do cotidiano de não fumantes sem que eles se deem conta.
Uma pessoa pode nunca ter smokeado um cigarro, mas ainda assim ser exposta à fumaça diariamente, especialmente em lares onde o ato de fumar é comum.
Para os adultos que não fumam, a exposição à fumaça de terceiros aumenta em 20% a 30% o risco de desenvolver câncer de pulmão, conforme dados de autoridades de saúde. Este aumento refere-se a uma elevação do risco em relação aos não expostos e não implica que a exposição inevitavelmente resulte na doença. O histórico de exposição ao fumo deve ser levado em conta durante a consulta médica, reforça Jéssica.
Ela destaca que é fundamental investigar se os sintomas respiratórios persistentes ocorrem em indivíduos que nunca fumaram. A informação sobre a exposição ao fumo passivo é essencial para o atendimento médico e deve ser partilhada pelo paciente.
Além do câncer, a fumaça do cigarro está relacionada a doenças cardiovasculares e, especialmente em crianças, pode resultar em infecções respiratórias e descompensações de crises asmáticas. A relação entre o ambiente de casa e a saúde da criança é crítica, principalmente quando os sintomas respiratórios são recorrentes.
Se uma criança sofre de tosse frequente ou apresenta crises de asma, é fundamental verificar se há um fumante na casa, pois essa informação pode auxiliar médicos a compreender a origem dos sintomas.
Vale lembrar que fumar em um cômodo distinto ou abrir janelas não é suficiente para evitar que a fumaça se espalhe. Por isso, a recomendação é que casas e veículos fiquem livres da fumaça do cigarro, especialmente na presença de crianças.
Parar de fumar também beneficia não apenas o próprio fumante, mas também reduz a exposição de familiares e quem compartilha o ambiente. O Dia Mundial do Pulmão serve como um lembrete da importância da saúde respiratória, que não depende apenas das escolhas de quem fuma, mas também do ambiente em que se vive. A decisão de parar de fumar deve ser encorajada, e aqueles que desejam ajuda podem buscar orientação médica.



