A hipertensão arterial, comumente chamada de pressão alta, é responsável por mais de 380 óbitos diariamente no Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde. Um estudo global indicou que o controle efetivo da hipertensão poderia prevenir anualmente mais de 500 mil mortes por doenças cardiovasculares.
Uma pesquisa divulgada durante as Sessões Científicas sobre Hipertensão 2026, organizada pela American Heart Association, analisou informações de saúde de 20 países, revelando que apenas cerca de um em cada cinco adultos com hipertensão apresenta a pressão arterial sob controle.
O cardiologista Emílio Pereira Jr. destacou que a hipertensão, frequentemente silenciosa, é uma condição de saúde alarmante, que muitas vezes passa despercebida e pouco diagnosticada. Ele ressaltou que a estimativa apresentada reflete apenas uma parte da realidade, já que muitos hipertensos não têm conhecimento de sua condição. Entre aqueles que estão cientes, uma parcela significativa não realiza o tratamento adequado. Manter a pressão sob controle é fundamental.
A hipertensão pode aumentar o risco de eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Segundo o especialista, essa condição impede que o coração e o cérebro funcionem corretamente e prejudica as artérias. A cardiologista Tatiane Emerich explicou que a pressão alta eleva o risco tanto do AVC isquêmico, causado pela obstrução, quanto do hemorrágico, resultante do rompimento de vasos.
Adicionalmente, a hipertensão pode causar danos às pequenas artérias do cérebro, o que pode resultar em problemas cognitivos relacionados à demência vascular. Daniella Motta, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia do Espírito Santo, afirmou que, de acordo com o Ministério da Saúde, 29,7% dos adultos das capitais brasileiras relataram ter sido diagnosticados com hipertensão em 2024.
Estimativas da Organização Mundial da Saúde mostraram que apenas 38% dos indivíduos hipertensos, com idades entre 30 e 79 anos, conseguiram controlar a pressão naquele ano, indicando que quase seis em cada dez não atingiram os níveis adequados de controle.
Daniella ressaltou que a falta de diagnóstico e o abandono do tratamento são fatores que contribuem para esse quadro, além da dificuldade em manter o acompanhamento médico e a utilização irregular de medicamentos.
A partir dos 2 anos, é recomendável que a pressão arterial seja medida para detectar problemas precocemente, conforme o cardiologista Diogo Barreto, do Hospital Evangélico de Vila Velha. Para aqueles sem diagnóstico conhecido, a aferição deve ser feita ao menos duas vezes por ano, enquanto os pacientes hipertensos precisarão realizar as medições com mais frequência, dependendo da gravidade da condição.
Diogo reforçou que, embora a hipertensão seja uma doença crônica sem cura, há tratamentos disponíveis. Daniella Motta apontou a importância de continuar o tratamento mesmo após a normalização dos níveis de pressão. Já a cardiologista Tatiane Emerich destacou que muitos pacientes podem necessitar de combinações de medicamentos e ajustes nas dosagens ao longo do acompanhamento.
A hipertensão, conforme enfatizado por Emílio Pereira Jr., é definida por valores iguais ou superiores a 140 por 90 mmHg. Por outro lado, a pressão considerada ideal fica abaixo de 120 por 70 mmHg. Níveis entre essas duas faixas podem indicar uma alteração que requer atenção, mas nem sempre sinalizam a presença de hipertensão ou a necessidade de tratamento medicamentoso. A avaliação deve levar em conta o risco cardiovascular individual.
Tatiane Emerich explicou que a hipertensão pode causar danos aos vasos sanguíneos ao longo do tempo, mesmo na ausência de sintomas. Isso aumenta os riscos de infarto, AVC, insuficiência cardíaca, arritmias, problemas renais e demência vascular.
Para prevenir e manejar a condição, Daniella Motta recomenda monitorar a pressão regularmente, mesmo sem queixas, reduzir o consumo de sal, manter uma alimentação saudável, praticar atividades físicas, controlar o peso, evitar o tabagismo e limitar o consumo de álcool. Aqueles que já apresentam hipertensão devem prosseguir com o tratamento e o acompanhamento médico, mesmo quando os níveis retornam ao normal.
Fonte: Especialistas consultados.

