Reflexões sobre a escassez de espectadores nos eventos culturais; Festival Cine.Ema em andamento; oportunidades na Academia Orquestra Jovem; e muito mais.
Cadeiras Vazias
Em diálogos com artistas e produtores de projetos culturais de pequeno porte no Espírito Santo, emergem frequentemente queixas sobre a dificuldade em atrair público para as atividades. A percepção é que, nos últimos anos, os espectadores desapareceram, afetando até aqueles com mais notoriedade. Um exemplo marcante foi o desabafo do ator Renato Scarpin, conhecido por sua atuação na telenovela Avenida Brasil, que recentemente se apresentou para apenas quatro pessoas em uma peça no Rio de Janeiro. No mês passado, Michel Teló recebeu R$ 440 mil da Prefeitura de Vitória para um show em comemoração aos 475 anos da capital, mas se apresentou em uma Praça do Papa sem público.
É preciso considerar fatores conjunturais específicos de cada evento. No caso do show de Michel Teló, por exemplo, a chuva no dia desestimulou muitos a saírem de casa. Contudo, essas situações destacam a importância de avaliarmos questões estruturais que podem estar impactando a presença do público nos eventos, independentemente de opiniões sobre a qualidade das atrações.
Falta de Tempo
Uma pesquisa realizada recentemente revelou que a falta de tempo é o principal impedimento para que os brasileiros consumam produtos culturais, com 33% das respostas apontando esse fator. A falta de interesse e a falta de recursos financeiros também figuraram como impedimentos relevantes. O estudo indica que 62% do público consome cultura via celular, e 53% pela televisão.
Assim, nos breves momentos livres que têm, muitos brasileiros preferem recorrer ao celular ou à televisão, por serem opções menos cansativas. Para atrair as pessoas para fora de casa, é necessário que o espetáculo seja realmente atraente, tanto em termos de conteúdo quanto financeiro.
Pós-Pandemia
A pandemia de Covid-19 deixou marcas duradouras. No setor cinematográfico, foram criados incentivos como a Lei Paulo Gustavo e, em 2025, o Brasil teve mais salas de cinema do que em 2019. Por outro lado, as redes de exibição buscam recuperar os lucros perdidos durante os dois anos de fechamento, com foco em grandes lançamentos que garantem um público considerável. Isso acaba relegando filmes menos comerciais ao streaming, resultando em uma programação presencial menos diversa e promovendo a cultura do “prefiro ficar em casa”.
Políticas Culturais Ineficazes
Além disso, as políticas culturais no Brasil não priorizam o público. Os espectadores são frequentemente vistos como passivos, recebendo uma oferta limitada de atividades. Anualmente, um grande número de filmes, peças de teatro, livros e projetos é disponibilizado, mas como podemos garantir que o público encontre essas iniciativas? É fundamental questionar como as políticas públicas de cultura podem, efetivamente, beneficiar a população em geral, e não apenas um pequeno grupo de artistas que conseguem aprovação em editais.
Embora eu não tenha a intenção de oferecer respostas fáceis para questões complexas, minha intenção é abrir espaço para o debate e estimular uma discussão mais ampla.
Importante lembrar que neste fim de semana haverá uma “festa da democracia”.
Cine.Ema em Andamento
O 12º Festival Cine.Ema está em plena atividade, apresentando 18 curtas-metragens brasileiros disponíveis gratuitamente na plataforma oficial do festival até o dia 19 de outubro. Os filmes estão divididos em duas mostras: a 12ª Mostra Cine.Ema e a 9ª Mostra Cine.Eminha, voltada para o público infantojuvenil. O público poderá votar em seu favorito para o prêmio de júri popular. Este ano, 350 produções de 25 estados brasileiros concorreram para integrar a seleção, que contempla 18 obras de 12 estados, incluindo Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Pará, Bahia, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Rondônia e Ceará.
Oportunidades na Academia Orquestra Jovem
Estão abertas mais de 100 vagas gratuitas para aulas de instrumentos musicais na Serra, oferecidas pelo projeto Academia Orquestra Jovem. A iniciativa tem como objetivo democratizar o acesso à formação musical de qualidade e fortalecer a prática artística em comunidade entre crianças, adolescentes e jovens. As inscrições vão até a próxima sexta-feira (9) e são preferencialmente voltadas para moradores de 10 a 27 anos de diversas regiões da cidade. Os alunos selecionados não precisam ter instrumento próprio, pois o projeto fornecerá todos os instrumentos e materiais pedagógicos necessários para as atividades. As aulas ocorrerão no Centro Municipal das Juventudes.
Bilros da Barra
O projeto “Bilros da Barra: Saber, Ensino e Sustento” iniciará na próxima terça-feira (6) a formação gratuita em renda de bilro para 40 mulheres de todo o Estado, com duração de cinco meses. As oficinas serão realizadas na sede do grupo Barra de Renda, localizada na Rua Vasco Coutinho, 292, na Barra do Jucu, em Vila Velha. O objetivo é qualificar as rendeiras atuais e abrir espaço para novas aprendizes, com ênfase em jovens que desejam conhecer essa tradição. A iniciativa é promovida pela Associação das Rendeiras de Bilro do Estado do Espírito Santo, em parceria com o Museu Vivo da Barra do Jucu.
Festival Capixaba de Frutos do Mar
A 28ª edição do Festival Capixaba de Frutos do Mar terá lugar na Praça de Eventos de Iriri, em Anchieta, de 9 a 18 de outubro. O evento contará com entrada gratuita e área coberta, reunindo mais de 30 expositores e apresentando cerca de 50 opções de pratos à base de frutos do mar, além de aulas-show com chefs e uma programação musical e cultural ao longo do evento. Um dos destaques será o show nacional do cantor Zé Geraldo, programado para a noite de sábado (10), às 23h. A organização espera um público de aproximadamente 100 mil pessoas durante os dez dias do festival.



