Um total de 28 indivíduos supostamente associados ao Primeiro Comando de Vitória (PCV) foram detidos em uma operação coordenada pela Polícia Civil. A ação, chamada Operação Intifada, ocorreu na quarta-feira, 14 de setembro de 2025, e envolveu aproximadamente 200 agentes e mais de 50 viaturas, contando também com o suporte da Polícia Penal e do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer).
Foram emitidos 44 mandados de prisão e 76 de busca e apreensão. A equipe policial permanece em campo para localizar os demais envolvidos na investigação.
O delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, ressaltou a relevância da colaboração entre as forças de segurança no combate às organizações criminosas. Ele mencionou que a estratégia tem como objetivo desarticular desde os responsáveis pela comercialização de drogas até suas lideranças e os que participam de ações violentas.
Em seu discurso, o delegado enfatizou que a detenção de tantas pessoas em uma área relativamente pequena ajuda a restaurar a sensação de segurança da comunidade, evidenciando que o controle territorial na região pertence ao Estado.
A investigação foi desencadeada após o homicídio de Breno, ocorrido em 7 de setembro de 2025, no bairro Redenção, em Vitória. As informações preliminares indicaram que ele foi assassinado em razão de sua associação a uma área vinculada ao Terceiro Comando Puro (TCP) e pelo fato de estar em um relacionamento com uma mulher que residia em território sob domínio do PCV. Um dos responsáveis pelo crime, que tinha mudado de facção, teria identificado Breno aos demais executores. A vítima sofreu 12 disparos na cabeça.
O trabalho investigativo permitiu traçar o perfil de integrantes de diversos setores da facção, revelando indivíduos que cuidavam de vendas e preparação de drogas, além de movimentações financeiras e coordenação de ataques a grupos rivais. O delegado da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, George Zan, afirmou que a investigação demonstrou a organização interna dos membros da facção, ressaltando a existência de grupos dedicados ao gerenciamento, à logística e ao planejamento de ações violentas.
A Polícia Civil informou que a rivalidade entre o PCV e o TCP se intensificou ao longo de 2025, resultando em conflitos em várias áreas da Grande São Pedro. Um dos episódios analisados ocorreu no bairro Conquista, onde integrantes do PCV supostamente orquestraram uma ação para dominar o território rival. Outro crime sob investigação envolveu um homicídio em que um homem foi encontrado morto e amarrado.
Ainda em novembro de 2025, vítimas de uma retaliação relacionada ao PCP foram mortas em um duplo homicídio no bairro Redenção. Cauã e Pedro Henrique eram os identificados. Adicionalmente, outros ataques armados foram documentados em locais como Carandiru, no bairro Santa Marta, e Mangue Seco, onde os suspeitos utilizaram barcos para surpreender um grupo de traficantes.
As investigações levaram à identificação de vários envolvidos nesses conflitos e a estrutura da facção foi mapeada. Entretanto, as principais lideranças continuam foragidas, incluindo Emerson, conhecido como “Pesadão”; Luiz Ricardo, o “Rico”; e Erickson Henrique, chamado de “Melão Henrique”. A Polícia Civil acredita que Emerson e Erickson estejam na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, enquanto o paradeiro de Luiz Ricardo é desconhecido.
Ainda consta entre os procurados Ítalo, apelidado de “Pocadinho”, que supostamente seria o responsável por executar membros de facções rivais. Ele já teria trocado tiros com policiais em uma tentativa de captura anterior.
A operação também buscou identificar membros da facção que estariam conduzindo ações criminosas a partir do sistema prisional, incluindo um detento que estava foragido há 605 dias. A troca de informações entre a Polícia Penal e a Divisão de Homicídios foi crucial para o andamento da operação, com o objetivo de capturar o foragido e outros detentos que ordenavam atividades criminosas.
Durante as buscas, a polícia conseguiu apreender drogas, dinheiro e materiais para embalar entorpecentes. No bairro Nova Palestina, foram encontrados cerca de 120 papelotes de cocaína, entre outros itens.
A Polícia Civil não registrou resistência durante a execução das prisões. A operação contou com o apoio aéreo do Notaer, que atuou para minimizar riscos de emboscadas e fugas, garantindo a segurança das equipes em campo. As investigações continuam, e novas prisões poderão ocorrer, uma vez que nem todos os mandados foram cumpridos até a realização da coletiva de imprensa.

