sábado, outubro 10, 2026
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Pesquisa revela ineficácia dos alertas de desastres no Brasil

A eficiência das mensagens de alerta de desastres enviadas por SMS no Brasil entre 2018 e 2023 é alarmantemente baixa. Segundo um novo estudo, apenas 1,83% das comunicações continham todos os elementos fundamentais para que a informação fosse considerada eficaz.

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Murilo Noli da Fonseca e Luciene Pimentel da Silva, analisaram um total de 73.701 mensagens disparadas por órgãos de defesa civil do país, focando na eficácia comunicativa das informações. Os dados revelaram que muitos itens necessários para uma comunicação clara estavam ausentes.

De acordo com Luciene, para que uma mensagem cumpra seu papel, é crucial que a população consiga perceber se está em risco, compreender a natureza do evento, identificar a localização do perigo, saber quais ações tomar e entender por quanto tempo deve permanecer alerta.

As comunicações analisadas eram limitadas a 160 caracteres e registradas no sistema da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) entre 2018 e 2023. Os pesquisadores categorizaram as mensagens com base em sua origem, tipo de perigo, localização, orientações e duração, seguindo os critérios estabelecidos pela Classificação e Codificação de Desastres (Cobrade).

Um dos achados mais preocupantes foi que apenas 7,7% das mensagens explicaram os danos potenciais associados ao perigo. A identificação precisa da localidade foi encontrada em apenas 5,9% das comunicações, e os horários de término do perigo foram mencionados em apenas 9%. Ademais, a classificação da própria mensagem, como aviso ou alerta, deixou de constar em 76,2% dos casos. A palavra “alerta” apareceu em apenas 19% das mensagens, enquanto “aviso” e “atenção” ficaram restritas a 2,2% e 1,8%, respectivamente.

Essas deficiências demonstram uma clara ineficácia na transmissão de informações durante situações de risco, conforme observam os pesquisadores. Quanto mais clara e específica é a mensagem, maiores são as chances de que ela seja compreendida e usada para tomar decisões adequadas.

Os pesquisadores também ressaltaram a limitação imposta pelo limite de caracteres do SMS, que dificultou a inclusão de informações mais completas. A adoção de múltiplos canais de comunicação, como Cell Broadcast e aplicativos de mensagens, pode aumentar a eficácia da comunicação em situações de emergência, aponta o estudo.

De acordo com Murilo Fonseca, não há um único canal que possa atender a todas as necessidades. É essencial que um sistema multicanal leve em conta as particularidades da população, incluindo níveis de alfabetização e acesso à informação, assim como características do território e a dinâmica do fenômeno.

Em termos de dados, a maioria das mensagens, 73,6%, visava alertar sobre chuvas intensas. As comunicações relacionadas à baixa umidade do ar representaram 8,5% do total, seguidas das mensagens de alerta para granizo, que corresponderam a 4,2%.

As estações da primavera e do verão, que vão de setembro a março no Hemisfério Sul, concentraram 75% dos alertas enviados durante o período analisado, com o maior número de disparos registrados em janeiro (15,9%) e dezembro (13,4%). Regionalmente, o sudeste liderou com 75,2% dos alertas, seguido pela Região Sul com 18,6%, Centro-Oeste com 3,7%, Nordeste com 1,5% e Norte com 0,98%.

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