A interrupção do uso de injetáveis para emagrecimento, como a caneta emagrecedora, pode resultar em um rápido retorno do peso perdido, e o segundo ciclo de emagrecimento frequentemente apresenta uma resposta inferior ao primeiro. Uma farmacêutica com três décadas de experiência comentou sobre essa dinâmica e advertiu sobre a importância de um acompanhamento adequado durante o tratamento.
Recentemente, uma mulher iniciou o uso da caneta e obteve resultados positivos, emagrecendo rapidamente e alcançando um peso que não via há anos. Contudo, após alguns meses, por razões financeiras ou pela crença de que já havia atingido seu objetivo, decidiu interromper o tratamento.
Apenas três semanas se passaram antes que a mulher constatasse o retorno de metade do peso que havia perdido. Em desespero, ela então retornou ao tratamento, mas, ao contrário do que ocorreu anteriormente, notou que a balança se movia lentamente e os resultados eram insatisfatórios, o que a levou a questionar a eficácia da caneta.
Esse fenômeno, que muitos podem vivenciar ou temer, possui explicação e nome. O problema dela não era o uso da caneta em si, mas sim a falta de um suporte contínuo que tratasse as questões por trás do sobrepeso, como a resistência à insulina.
Os medicamentos, como os análogos de GLP-1, atuam na redução do apetite e no controle da glicemia, porém, esses benefícios são temporários. Enquanto a paciente utiliza a caneta, a resistência à insulina pode ficar mascarada, mas não tratada. Assim, quando o tratamento é interrompido, a fome retorna com intensidade e o estado original do corpo se revela, prejudicando ainda mais o peso corporal.
O retorno rápido de peso e o fenômeno do efeito sanfona são vinculados a uma insulina basal maior, o que pode fazer com que muitas pessoas experimentem um ganho de peso ainda mais acentuado. Quando a mulher interrompeu o uso, seu organismo, que já havia sofrido perda de massa muscular durante o emagrecimento, voltou a acumular gordura mais rapidamente.
O pior é que, em sua segunda tentativa com a caneta, ela se encontrava em uma situação mais difícil, com um corpo menos receptivo ao medicamento. Isso demonstra que a caneta não atua sozinha; o tratamento do corpo é essencial para assegurar resultados duradouros.
Por este motivo, o verdadeiro problema não estava na caneta, mas no fato de que não houve um trabalho de manejo metabólico enquanto ela emagrecia. É importante que, ao utilizar a caneta, haja um acompanhamento nutricional e médico que trate as condições subjacentes de saúde, como a inflamação e deficiências nutricionais.
A farmacêutica destacou que intervenções personalizadas, como a suplementação de nutrientes essenciais e a preservação da massa magra, são fundamentais durante o processo de emagrecimento. A ausência de tal suporte pode resultar em uma falsa sensação de segurança e em um retorno ainda mais complicado ao peso anterior.
Ademais, alertou sobre o cenário atual, onde profissionais de saúde podem oferecer apenas a injeção, sem avaliação criteriosa do paciente. Isso pode levar a um cuidado superficial que não aborda as verdadeiras questões de saúde.
A verdadeira pergunta que deve ser feita é: “O que estão fazendo por mim além de me fornecer a medicação?” Se não houver uma análise detalhada e um plano de manejo, o paciente deve ser cauteloso com o valor que está pagando. O que realmente importa é o acompanhamento que transforma sua saúde e promove mudanças duradouras, em vez de soluções temporárias que não tratam a raiz do problema.
Por fim, recomenda-se que, ao buscar tratamento, os pacientes procurem por profissionais que ofereçam não apenas a medicação, mas um acompanhamento genuíno que priorize a saúde e o bem-estar, evitando assim o ciclo maçante de emagrecimento e reganho de peso.



