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sábado, setembro 5, 2026
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Relatório utilizado por Moraes não deveria ser compartilhado fora da PF

O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva, declarou que a utilização de um relatório de inteligência da PF no inquérito das Fake News é “completamente irregular”. Ele enfatizou que tal documento nunca deveria ter sido compartilhado com entidades externas à corporação.

Em entrevista no último sábado, 5, Paiva afirmou que “o documento não poderia circular fora da polícia, pois contém impressões internas e análises que podem ser subjetivas”. Para ele, a mera existência desse relatório ser de conhecimento externo e sua aplicação em um processo criminal é extremamente inadequada.

Recentemente, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentou um relatório de inteligência ao ministro Alexandre de Moraes, após receber uma ordem judicial. Esse relatório, conforme exposto, não possui valor probatório e não deve ser utilizado como base para acusações. Contudo, Moraes fez uso desse material no inquérito para acusar André Mendonça de abuso de autoridade, após este solicitar um relatório da PF que incluísse conversas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, que discutiam a possibilidade de fugir do país diante das investigações.

Paiva expressou que a divulgação desse documento gerou “estranheza” entre os delegados, que chegaram a suspeitar que ele não tivesse sido elaborado pela PF. Ele ressaltou que essa é uma situação inédita, sugerindo a necessidade de uma investigação sobre como um ministro do Supremo Tribunal Federal teve conhecimento da produção desses documentos, que são estritamente internos e não deveriam escapar à atenção de quem os produziu ou dos que os receberam.

Ele explicou que relatórios desse tipo são criados para apoiar a tomada de decisões dentro da PF e que devem permanecer em sigilo absoluto. A ausência de um autor identificado e o formato do documento geraram desconfianças entre os profissionais da corporação, que inicialmente duvidaram de sua origem.

Além disso, Paiva alertou que a divulgação do relatório pode comprometer investigações em curso, expondo informações sobre diligências que ainda não foram realizadas. Ele destacou a gravidade da situação, pois alvos que estavam inconscientes da investigação agora podem estar cientes, situação que poderia configurar uma violação de sigilo.

Por fim, o presidente da ADPF defendeu a conduta da equipe policial responsável pelo relatório sobre diálogos entre Moraes e Mendonça, considerando que os agentes cumpriram uma determinação judicial. A Procuradoria-Geral da República (PGR) havia solicitado a investigação sobre possíveis interferências indevidas na PF devido a essa ordem. Paiva concluiu que não há irregularidades na atuação dos policiais, pois eles apenas atenderam a uma solicitação do judiciário.

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