Dez baleias-jubarte serão equipadas com transmissores via satélite durante a próxima temporada de reprodução ao longo da costa do Espírito Santo. O objetivo da pesquisa, que é inovadora na área, é monitorar em tempo real os itinerários dos mamíferos marinhos, para identificar onde estão as áreas com maior concentração e os locais que podem apresentar conflitos com as rotas das grandes embarcações que operam na região.
O projeto está sendo conduzido pelo Instituto O Canal, vinculado ao trabalho dos projetos Amigos da Jubarte e Jubarte.Lab, e representa uma continuidade de estudos realizados nos últimos dez anos. O monitoramento abrangerá a região entre os municípios de Serra, Vitória, Vila Velha e Guarapari, estendendo-se por aproximadamente 43 quilômetros mar adentro.
De acordo com Thiago Ferrari, diretor do instituto, essa pesquisa busca coletar dados mais precisos sobre os riscos de colisões envolvendo embarcações. A inclusão da tecnologia de rastreamento satelital visa aprimorar as informações já coletadas ao longo dos anos.
Os dispositivos, que estão sendo adquiridos de fornecedores externos, serão instalados por uma equipe especializada. A colocação do transmissor na região dorsal das baleias será feita utilizando uma balestra, que lançará um dardo para fixação.
O método usado é reconhecido como pouco invasivo e permitirá o acompanhamento dos animais por meses, possibilitando o registro de seus deslocamentos e do uso da área. A análise dos dados obtidos poderá revelar se as baleias evitam determinadas áreas por conta do tráfego marítimo intenso e quais locais são preferidos durante a época reprodutiva. Além disso, a pesquisa pode ajudar a identificar as áreas mais utilizadas por mães e filhotes.
A costa do Espírito Santo serve como um importante habitat para a reprodução e criação de filhotes da espécie, com cerca de 30 mil jubartes migrando para a região durante a estação. A fase reprodutiva é considerada um período extremamente sensível para esses animais.
Além do rastreamento via satélite, o projeto já conta com técnicas de monitoramento por meio de observações visuais, uso de drones e gravações acústicas com hidrofones, que captam as vocalizações das baleias. A partir dos dados coletados, será possível mapear as regiões com maior risco de colisões e desenvolver ações que promovam a segurança, como a redução da velocidade e mudanças nas rotas de navios.



