Quando uma empresa menciona ESG, está abordando a forma como administra seus impactos em três áreas principais: ambientes, sociais e de governança corporativa. Este conceito deixou de ser apenas uma retórica, ganhando destaque no cenário empresarial atual.
Investidores, reguladores e consumidores passaram a demandar evidências concretas, indicadores e maior transparência nas informações. É nesse contexto que surge o CSRD, uma norma da União Europeia que exige que empresas abarquem informações sobre seus impactos sociais e ambientais, além de explorar a relação dos temas ESG com o desempenho do negócio.
Contudo, muitas organizações têm começado pelo final, focando na obtenção de selos, frameworks e relatórios antes de estabelecer uma governança sólida de dados. Frequentemente, os dados que sustentam os relatórios sobre ESG são oriundos de planilhas, e-mails e registros locais, apresentando baixa padronização e limitados controles de revisão. Isso gera um paradoxo: embora se exija alta qualidade nos relatórios financeiros, a coleta de dados permanece baseada em processos frágeis.
No relatório de Sustentabilidade de 2024, a Deloitte aponta que 57% dos executivos consideram a qualidade dos dados como o maior desafio para a sua empresa no que diz respeito a ESG, e 88% a identificam entre os três maiores obstáculos enfrentados. Além disso, 81% dos diretores relatam problemas relacionados à documentação como uma das principais dificuldades, revelando deficiências em processos e controles internos, que costumam ser mais robustos no âmbito financeiro.
O desafio se agrava, uma vez que o CSRD elenca princípios de qualidade sem fornecer um guia operacional claro. Em consequência, as empresas acabam por coletar uma gama excessiva de dados sem compreender a utilidade destes. Isso levanta questões cruciais: Quais riscos precisam ser monitorados? Quais dados são essenciais para a tomada de decisões? Quais indicadores verdadeiramente refletem o desempenho e os impactos? Neste cenário, os Key Performance Indicators (KPIs) são frequentemente desenvolvidos para atender a frameworks, ao invés de servir como ferramentas de gestão, resultando em relatórios onerosos e com baixo valor gerencial.
Uma solução equivocada frequentemente apresenta-se na forma de tecnologia. Soluções em inteligência artificial, análise de dados e monitoramento contínuo são oferecidas como atalhos para a maturidade. Entretanto, vale destacar que tecnologia por si só não resolve a desorganização estrutural.
Se a base de dados é frágil, com definições inconsistentes e falta de controles, a inteligência artificial apenas amplifica essas inconsistências, gerando relatórios visualmente atraentes, porém de baixa confiabilidade.
Uma reflexão fundamental deve ser feita antes da adoção do CSRD e da implementação de tecnologias: Quais são, de fato, os riscos ambientais, sociais e de governança a serem considerados? Com essa resposta em mãos, torna-se possível definir o que registrar, quem será responsável pelos dados, quais controles validarão as informações, qual evidência sustentará os números e quais KPIs serão representativos de resultados mensuráveis. A gestão de dados é uma questão central e essencial para que o ESG se transforme de uma mera vitrine em um elemento de gestão sólida, credibilidade e valor sustentável.

