Taiwan vai elevar seus gastos com defesa no próximo ano, afirmou nesta segunda-feira (17) o presidente Lai Ching-te. Segundo ele, o aumento é um “investimento na paz” e busca reforçar a capacidade de autodefesa da ilha.
O governo apresentará na quinta-feira (20) a proposta de orçamento para 2027, detalhando como os recursos serão distribuídos. Lai confirmou que os gastos militares superarão pela primeira vez 1 trilhão de dólares taiwaneses (cerca de R$ 163 bilhões).
O anúncio ocorre em meio à intensificação da pressão militar e política da China, que considera Taiwan, governada democraticamente, parte de seu território. Pequim intensificou nos últimos anos as ações para fazer valer suas reivindicações, rejeitada por Taipé.
Taiwan também é pressionada pelos Estados Unidos para aumentar próprios gastos com defesa, assim como Washington vem pressionando países europeus a elevar os investimentos militares.
A divulgação dos gastos ocorreu durante uma reunião sobre o orçamento do próximo ano. O valor destinado à defesa equivale a mais de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a transcrição das declarações divulgada pelo gabinete do presidente.
“Investir em defesa é investir na paz. Continuaremos a construir uma força de defesa mais sólida para manter a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan e na região”, acrescentou Lai.
CAMPANHA DE PRESSÃO CHINESA
A modernização militar é uma das prioridades do governo de Taiwan, que promete ampliar os investimentos em defesa e desenvolver equipamentos próprios, incluindo submarinos, diante do aumento da ameaça chinesa.
As Forças Armadas da China realizam operações quase diariamente nos mares e no espaço aéreo ao redor de Taiwan. Pequim também vem aperfeiçoando novas táticas, como patrulhas realizadas pela guarda costeira na costa leste de Taiwan, voltada para o oceano Pacífico.
William Chung, pesquisador-assistente do Instituto de Pesquisa de Defesa e Segurança Nacional, ligado ao Ministério da Defesa de Taiwan, afirmou que as atividades chinesas na costa leste não têm apenas o objetivo de exercer pressão psicológica, mas também de realizar treinamento de combate e coletar informações.
“Se hostilidades efetivas eclodirem no estreito de Taiwan, toda a área marítima oriental de Taiwan será sua principal saída para o mundo exterior”, disse ele em um fórum realizado em Taipé nesta segunda.
Taiwan encerrou na semana passada os exercícios militares anuais Han Kuang, que simularam uma série de cenários de batalha, incluindo estratégias para romper um possível bloqueio marítimo chinês.
O Ministério da Defesa da China classificou os exercícios como uma “farsa dispendiosa” que “alimentou o pânico de guerra”.
Lai também enfrenta resistência no Parlamento de Taiwan, dominado pela oposição. O Legislativo só aprovou o orçamento deste ano na última sexta-feira (14), após meses de atrasos.
Os dois principais partidos de oposição afirmam que não darão “cheques em branco” ao governo.




