O televangelista americano Jim Bakker faleceu nesta segunda-feira (5), aos 86 anos. Ele ficou conhecido por ter criado um vasto império multimilionário e vivido em luxo, mas sua trajetória foi marcada por escândalos, incluindo um caso de corrupção sexual, uma condenação por fraude contra seus seguidores e o divórcio da apresentadora Tammy Faye.
A notícia do falecimento foi divulgada nas redes sociais por sua segunda esposa, Lori Bakker. Em uma mensagem emocionada, ela confirmou que seu amado marido “partiu para junto do Senhor”. Bakker é lembrado como um “pioneiro da televisão cristã”, embora não tenha sido revelada a causa de sua morte.
Após cumprir pena na prisão, Bakker retornou à sua carreira de pregador em 2003, agora ao lado de uma nova esposa e com um novo programa na televisão. Com o tempo, tornou-se um defensor fervoroso do ex-presidente Donald Trump.
Na década de 1980, ele ganhou notoriedade no programa “The PTL Club”, que atraía milhões de telespectadores nos Estados Unidos. Embora o acrônimo PTL significasse “Praise The Lord” (“Louvado seja o Senhor”), críticos afirmavam que também poderia ser interpretado como “pass the loot” (“passem a grana”), em referência aos constantes apelos por doações que fazia a seus seguidores.
Bakker foi condenado a quatro anos e meio de prisão em 1989, após ser acusado de enganar seus fiéis em um esquema de fraudes envolvendo férias em seu parque temático e resort cristão Heritage USA. Os promotores o caracterizaram como um golpista ganancioso. Antes da sentença, o juiz Robert Potter expressou a frustração de muitos religiosos com pregadores que exploram sua fé em busca de dinheiro.
Depois de deixar o ministério PTL em 1987, o escândalo envolvendo um encontro sexual que Bakker teve em 1980 com Jessica Hahn veio à tona, resultando em um pagamento de US$ 265 mil para garantir seu silêncio. À época, ele estava à frente de um ministério que contava com dois mil funcionários e um complexo de 930 hectares em Fort Mill, Carolina do Sul. Em seu auge, o PTL atraiu 13 milhões de telespectadores e arrecadou US$ 129 milhões anualmente.
Bakker, que se mostrava mais acessível e amigável em seus sermões do que outros televangelistas, foi condenado por 24 acusações de fraude e conspiração, levando à desvio de US$ 3,7 milhões para sustentação de um estilo de vida extravagante. Embora inicialmente condenado a 45 anos de prisão, sua pena foi reduzida. Ele se arrependeu publicamente, afirmando que nunca teve a intenção de fraudar.
Seu ex-assessor, Richard Dortch, cumpriu uma pena menor após se declarar culpado, enquanto Tammy Faye, que nunca foi acusada, permaneceu ao seu lado durante o julgamento, mas se separou dele em 1992. Bakker refazendo sua vida após a prisão, lançou o livro “I Was Wrong” (“Eu estava errado”) e fundou um novo ministério televisivo em 2003, onde continuou a apelar por doações.
Durante a pandemia de COVID-19, suas ações geraram controvérsia ao oferecer um tratamento falso, além de ter feito declarações polêmicas sobre uma possível guerra civil entre os cristãos caso Donald Trump fosse destituído.
Nascido em 2 de janeiro de 1940, em Muskegon, Michigan, Bakker veio de uma família modesta e cresceu em um ambiente cristão rigoroso. Conheceu Tammy Faye LaValley no North Central Bible College e os dois se casaram em 1961. Eles abandonaram os estudos para se tornarem evangelistas, e sua grande oportunidade chegou em 1964, quando Pat Robertson exibiu seu programa de fantoches.
Na década de 1970, Bakker utilizou a emergente televisão a cabo e por satélite para construir seu império religioso.

