O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 28, que não irá se envolver na crise política que se seguiu às eleições no Brasil. A declaração ocorreu após Flávio Bolsonaro, que chegou ao território americano após ser derrotado nas eleições, se autoproclamá como o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil em uma carta com tom golpista.
Trump, ao ser indagado sobre a situação, declarou: “Não farei comentários sobre isso, mas sabemos que ele recebeu permissão para entrar no país; então, vamos ver o que acontece”. O presidente também mencionou que a eleição teve características “muito estranhas”. Ele explicou que o governo decidiu permitir a entrada de Flávio por acreditar que ele foi tratado de maneira injusta, enfatizando que, embora não tenha tomado posição sobre a eleição, comenta quando algo parece inapropriado.
Flávio Bolsonaro divulgou uma carta agradecendo a Trump e ao presidente da Argentina, Javier Milei, autodenominando-se “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, em sua primeira manifestação pública após deixar o país. Ele perdeu no segundo turno das eleições realizadas no último domingo, 25, onde Luiz Inácio Lula da Silva conquistou seu quarto mandato ao obter 51,77% dos votos válidos, em contraste com os 48,23% do candidato do PL.
A vitória de Lula foi ratificada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, logo após o fechamento das urnas, e até mesmo o Partido Liberal (PL) reconheceu o resultado. Flávio, que havia sido intimado para entregar seus passaportes em 24 horas por estar sob investigação de lavagem de dinheiro, não compareceu e teve seus documentos cancelados pela Polícia Federal, após notificação ao Supremo Tribunal Federal.
Flávio saiu do Brasil com sua família via Foz do Iguaçu e embarcou em um jato particular rumo a Miami, utilizando passaporte italiano para entrar na Argentina e seu passaporte diplomático para os Estados Unidos, os quais não poderiam ser documentos brasileiros devido ao cancelamento anterior.
Antes de deixar o país, o senador afirmara que pretendia “pedir a anulação” do segundo turno e buscar a cassação da chapa de Lula e Alckmin.
A carta que Flávio publicou já passou por três versões diferentes. A primeira trazia um brasão com a expressão “Estados Unidos do Brazil” e a data de 15 de novembro de 1889, relacionado à Proclamação da República. Uma segunda versão foi divulgada em seguida, corrigindo o nome do país, e uma terceira versão foi postada por Flávio nas redes sociais, onde moderou sua autodenominação para “líder do Brasil”.
Na carta, ele classifica o resultado do segundo turno como uma “fraude eleitoral”, sem apresentar evidências, repetindo a narrativa utilizada por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022. Além disso, critica a prorrogação do horário de votação decidida pelo ministro Cristiano Zanin, apontando-a como uma atuação “ilegítima e ilegal”. Flávio também menciona que se compara a outros políticos que buscaram exílio ao redor do mundo.

