A produção científica do Espírito Santo foi destaque em um dos mais importantes eventos sobre saúde pública no mundo. Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) marcaram presença no 18º Congresso Mundial de Saúde Pública, que ocorreu entre 6 e 9 de setembro, na Cidade do Cabo, África do Sul, apresentando estudos desenvolvidos no estado.
Com o tema “Saúde sem Fronteiras: Equidade, Inclusão e Sustentabilidade”, o congresso reuniu profissionais de saúde, gestores, pesquisadores e representantes de diversas nações para debater questões que ultrapassam barreiras, como a desigualdade no acesso aos serviços de saúde, a sustentabilidade dos sistemas de saúde e a inclusão social.
Um dos grupos participantes foi o Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Ufes, que apresentou um total de 39 trabalhos científicos, coordenados pela professora Maria Angélica Andrade. Para ela, a participação no congresso reforça o compromisso da universidade em realizar pesquisas que atendam às necessidades reais da sociedade.
Maria Angélica enfatiza a importância de discutir equidade, inclusão, solidariedade e os direitos humanos dentro do contexto da saúde. Segundo ela, a desigualdade é uma das maiores ameaças à saúde e está intimamente ligada à forma como as sociedades e os sistemas públicos estão organizados.
“Na 18ª Conferência Mundial sobre Saúde Pública, foi ressaltado que a desigualdade ainda é um dos principais desafios enfrentados na saúde. Há uma conexão clara entre democracia, governança e saúde pública”, afirma a pesquisadora. O evento também destacou o papel crucial da Atenção Primária à Saúde na promoção de sistemas de saúde que sejam tanto universais quanto justos.
A participação no congresso não se limitou à apresentação de pesquisas; também proporcionou a troca de experiências e reflexões entre os participantes, ampliando o conhecimento e as possibilidades de colaboração internacional. De acordo com Maria Angélica, esse é um dos principais compromissos da Saúde Coletiva: gerar conhecimento que favoreça políticas e decisões que visem a melhoria da qualidade de vida da população.
Ela conclui que os pesquisadores têm a responsabilidade de produzir evidências científicas alinhadas às prioridades das comunidades e aos anseios dos formuladores de políticas, reforçando assim o compromisso com a construção de sociedades onde todos possam alcançá-la saúde e viver com dignidade.



