Um novo espaço foi inaugurado pelo Hospital Vitória Apart, localizado na Serra, destinado a homenagear as famílias que fizeram a valiosa decisão de doar órgãos e tecidos de seus entes queridos. Desde 2021, um total de 21 famílias aceitou a doação, contribuindo para que a vida de outros pudesse continuar.
O memorial teve sua origem a partir de uma homenagem simples, que depois evoluiu e ganhou novos significados ao longo dos anos. A equipe do hospital, em um gesto de carinho, plantou um ipê em memória de um paciente oncológico que passou bastante tempo sob cuidados médicos. Esta árvore agora integra um jardim que simboliza a memória de outros doadores do hospital.
“Este memorial é uma maneira de agradecer aos pacientes e reconhecer a coragem das famílias em optar pela doação”, declarou a presidente da Comissão de Doação de Órgãos do Hospital Vitória Apart.
Juliana Oliveira, de 39 anos e filha de Adilson Trancoso Mendes, é uma das homenageadas. Seu pai, que faleceu aos 55 anos devido a um câncer de intestino, foi lembrado no início desse projeto. Para Juliana, a autorização para a doação de córneas foi uma decisão que alinhou-se aos valores que seu pai sempre cultivou. Ela ressaltou: “Decidimos doar porque tenho certeza de que seria algo que ele desejaria. Meu pai era uma pessoa bondosa e sempre incentivou a ajuda ao próximo.”
De acordo com informações da Comissão, a identificação dos doadores também visa reconhecer o ato heroico das famílias em um momento tão difícil. No Brasil, mesmo que uma pessoa tenha manifestado o desejo de ser doadora em vida, é imprescindível a autorização familiar.
As estatísticas sobre doações de órgãos no Espírito Santo mostram a necessidade de esclarecimentos. Em 2024, houve 89 doadores, enquanto em 2025 foram 87. Entretanto, os dados apontam um crescimento preocupante na taxa de recusa familiar, que atingiu 59% entre janeiro e agosto de 2026.
O espaço dedicado à doação ressalta a importância de um ato que pode salvar vidas; uma única doação pode beneficiar até nove pacientes. A maioria das famílias que se opõe à doação cita razões como objeções pessoais, indecisão ou o desejo de manter o corpo íntegro.
Até setembro de 2026, cerca de 2.915 pessoas estavam na fila por transplantes no Espírito Santo, com a maior necessidade sendo para córneas e rins. O desejo de ser um doador deve ser discutido com a família, já que a decisão final compete a eles, conforme a legislação brasileira.
Diante do falecimento, a equipe hospitalar realiza uma entrevista com os familiares, momento em que a doação é discutida. Deixar claro o desejo de ser doador ainda em vida é essencial para facilitar essa difícil decisão no futuro.

