sábado, outubro 24, 2026
InícioNotíciasVacina diminui risco de morte em até 42%, segundo pesquisa

Vacina diminui risco de morte em até 42%, segundo pesquisa

A previsão aponta que, nas próximas duas décadas, as mortes em decorrência do câncer de pele tipo melanoma podem crescer 57% em todo o mundo, conforme divulgado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), que utilizou dados do Cancer Tomorrow. Nesse contexto, a ciência está desenvolvendo uma vacina capaz de diminuir em até 42% o risco de mortalidade associado a essa doença.

Os resultados provêm de um estudo de fase 3, a última etapa antes da solicitação de aprovação, realizado por duas empresas farmacêuticas, Moderna e MSD, cujo anúncio foi feito na última quinta-feira. Resultados preliminares haviam sido apresentados em agosto, mas sem a porcentagem específica.

A vacina, denominada intismeran autogene, é fabricada a partir da análise do tumor já existente em cada paciente. O processo envolve a sequenciação do material genético do câncer para identificar mutações específicas, resultando na criação de uma molécula de mRNA que direciona o sistema imunológico para reconhecer e eliminar as células cancerosas.

Na pesquisa, a vacina foi administrada em combinação com o Keytruda (pembrolizumabe), uma forma de imunoterapia. Após dois anos de tratamento, 82,2% dos pacientes que receberam essa combinação não apresentavam sinais da doença, em comparação a 70% daqueles tratados apenas com o Keytruda, considerado o tratamento padrão.

A oncologista Arianne Velasquez, da Rede Meridional, destaca a eficácia do estudo, que mostrou uma redução de 38% no risco de morte e metástase com a combinação dos tratamentos. Contudo, ela ressalta que não é possível determinar com certeza se a vacina sozinha teria resultados similares, enfatizando que se trata de uma solução personalizada, adaptada ao tumor de cada paciente.

Segundo a especialista, os efeitos colaterais, como dor no local da injeção (60%), fadiga e calafrios, são considerados gerenciáveis. A médica Caroline Secatto destaca que o tratamento é adjuvante, aplicado após a cirurgia, e deve ser considerado por pacientes com melanoma cutâneo de alto risco, entre os estágios 2B e 4A, que tenham sido completamente submetidos à remoção cirúrgica.

Ela acrescenta que o risco de recorrência do melanoma varia entre 30% e 60%, podendo persistir entre três a cinco anos após o tratamento inicial. Ricardo Tiussi, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Espírito Santo, enfatiza que a vacina não é uma forma de prevenção para aqueles que nunca tiveram a doença.

A ideia central da nova abordagem é oferecer uma vacina que inclua antígenos do próprio tumor do paciente, em associação com a imunoterapia. Apesar da eficácia prometida, ainda existem preocupações em relação ao surgimento de células microscópicas que podem resultar no retorno do melanoma após a cirurgia.

O melanoma é considerado um dos cânceres de pele mais agressivos, mas, se diagnosticado precocemente, possui uma taxa de cura próxima a 100%. Os fatores de risco incluem histórico familiar, queimaduras solares na infância e adolescência, além do uso de bronzeamento artificial, o qual está proibido no Brasil, mas ainda ocorre em contextos ilegais. A condição pode afetar pessoas de todas as tonalidades de pele, e sinais de alerta incluem alterações em pintas existentes ou novas pintas que mudam de cor, formato ou que sangram.

A vacinação não é destinada à prevenção em indivíduos que nunca foram diagnosticados com melanoma. Os pacientes participantes do estudo eram todos de alto risco, com melanoma cutâneo completamente removido por meio de cirurgia, e a expectativa é que a vacina esteja disponível no mercado até 2027, após o pedido de aprovação das empresas nos Estados Unidos.

Artigos Relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

MAIS LIDOS

Comentarios Recentes