O Ministério da Saúde estima um aumento significativo nos casos de arboviroses, como dengue e chikungunya, devido aos efeitos do fenômeno El Niño, previsto para ocorrer em 2027. A projeção indica um crescimento de 20% a 40% nas infecções por dengue nos próximos meses.
Um relatório recente da Fiocruz já havia apontado que cerca de 1,5 milhão de casos prováveis de dengue podem ser registrados em 2027, um número próximo ao de 2025, que foi 1,66 milhão, mesmo sem considerar o impacto das mudanças climáticas. Até o momento, este ano já foram contabilizados 489.197 casos prováveis de dengue.
O estudo prevê que, em um cenário de El Niño intenso, entre setembro deste ano e o início de 2027, o aumento dos casos prováveis será de 49,1% no Nordeste, 68,9% no Norte, 84,9% no Sudeste, 98,4% no Centro-Oeste e 138,2% no Sul. O relatório, no entanto, não abrange a totalidade do ano de 2027.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a previsão de crescimento está atrelada à interação do El Niño com a realidade epidemiológica da dengue, que teve redução nos casos nos últimos dois anos, criando uma população mais vulnerável a determinados sorotipos da doença. Ele também mencionou que a intensidade da enfermidade pode variar em diferentes regiões, com maior gravidade em áreas de seca, como o semiárido e a Amazônia.
Em resposta a estas projeções, o ministro expressou interesse em retomar a vacinação com a Butantan-DV, vacina contra dengue que teve seu uso suspenso em junho devido à ocorrência de reações adversas severas, incluindo duas mortes. Padilha informou que a análise das reações adversas ainda está em andamento e não foi estabelecido um prazo para a decisão sobre a retomada do uso. “Estamos esperançoso para que a vacina esteja disponível pelo menos no próximo ano”, afirmou.
Além disso, o ministro levará dados sobre a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às mudanças climáticas para a COP31, que ocorrerá de 9 a 20 de novembro na Turquia. As informações incluem iniciativas como a construção de unidades de saúde com reservatórios de água ampliados.
Quando se trata da vacina, a decisão de interromper o uso da Butantan-DV foi anunciada em junho, após o registro de 42 casos de reações adversas severas. Esta vacina, aplicada em dose única, era uma das principais estratégias do governo para proteção a longo prazo da população.
Atualmente, o SUS disponibiliza apenas a vacina Qdenga para a imunização contra a dengue, destinada a jovens de 10 a 14 anos. A Butantan-DV, que foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em novembro de 2025 para pessoas entre 12 e 59 anos, tinha uma expectativa de fornecimento de 3,9 milhões de doses.
Foi observado que a proteção oferecida pela Butantan-DV dura cerca de cinco anos, mas sua utilização foi suspensa enquanto se avaliam as reações adversas. A iniciativa de ampliar a produção para 60 milhões de doses, em parceria com a empresa chinesa WuXi Vaccines, ainda aguarda autorização da Anvisa.
A busca pela imunização em massa se tornou uma prioridade no SUS após um aumento alarmante nos casos de dengue em 2024, que resultaram em 6.321 mortes. No presente ano, o Ministério da Saúde já registrou 368 mortes relacionadas à dengue e investiga mais 116 casos.

