
O dia em que o Macbeth de Miami foi listado no ICE
Recentemente, enquanto Richarlison lidava com suas dificuldades de capixaba, a atenção nacional se voltava para a fronteira, onde acontecia uma fuga digna de um filme de baixo orçamento. A família que outrora se considerava no controle do país decidiu deixar o Brasil devido à pressão judicial crescente. O ex-presidente autoproclamado e seus familiares optaram por buscar refúgio nos Estados Unidos, transformando a Flórida em um novo lar. Armados com passaportes que garantiam imunidades, eles abandonaram o Brasil, ignorando aqueles que tentavam reclamar seus documentos. A partida ocorreu de forma rápida, refletindo um certo patriotismo que valoriza a bandeira nacional, mas que consome em dólar.
A família atravessou a Argentina, que sob a presidência de Javier Milei, prometia transformação, mas não alertou que o povo precisaria enfrentar dificuldades. Conseguiram contornar a alfândega, entraram clandestinamente, embarcaram em um jato suspeito e realizaram uma escala no Equador antes de finalmente chegar à Flórida, onde desapareceram na vegetação local. Em seguida, o ouriço de Miami publicou uma carta, elaborada pela inteligência artificial, afirmando ter vencido as eleições nos Estados Unidos do Brasil e se proclamando o verdadeiro presidente. Essa situação ilustra os riscos de confiar em tecnologia.
No entanto, a vida de exilados em um local tão glamoroso como a Disney pode perder o brilho rapidamente. O plano inicial parecia perfeito: viver à sombra de Donald Trump, saboreando hambúrgueres e ignorando as investigações legais. Contudo, a mudança no cenário político dos Estados Unidos trouxe desafios inesperados. O Partido Democrata obteve a maioria nas câmaras, complicando a situação para Flávio e Eduardo Bolsonaro, além de alguns amigos em situação delicada.
Especialistas em política alertaram que a nova configuração do Congresso pode dificultar ainda mais a vida da família, tornando-a alvo de investigações e depoimentos. Embora seja complexo e demorado o processo de extraditar Flávio e Eduardo de volta ao Brasil, a presença de bons advogados pode ser insuficiente para protegê-los de investigações rigorosas.
A situação, antes confortável, agora se parece com um enredo de suspense, onde a preocupação diária se tornou a possibilidade de uma investigação parlamentar em Washington que revele suas transações financeiras e relacionamentos suspeitos. O ex-presidente pode se deparar com a realidade de que as instituições americanas não operam como a política local, onde um decreto pode resolver tudo em um passe de mágica. O ICE, assim como as leis, não tem seus segredos tão fáceis de serem manipulados. E, se necessário, alternativas como Dubai podem surgir, um pouco mais caras, mas sem a mesma proteção.
Rubem Roschel é jornalista e cronista de quinta.

