quarta-feira, outubro 7, 2026
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A Política Alemã Confronta os Fantasmas no Dia de Comemoração do Ataque do Hamas

Diversas manifestações ocorreram em Berlim nesta quarta-feira, dia 7, marcando os três anos do ataque do Hamas, considerado o mais mortífero da história de Israel. A política Elif Eralp, que é cotada para ser a futura prefeita da cidade, foi excluída da principal cerimônia. Poucas horas antes, Friedrich Merz, líder do partido conservador, comentou que os votos de seu partido em favor da Alternativa para a Alemanha (AfD) eram incompatíveis com seus princípios.

A capital alemã lembrou o ataque que resultou na morte de 1.200 pessoas e no sequestro de 251, além de dar início a um conflito que causou a morte de mais de 74 mil palestinos e devastou partes da Faixa de Gaza. O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, e o embaixador de Israel na Alemanha, Ron Prosor, fizeram alusões diretas ao partido de Eralp, a Esquerda, durante seus discursos na Bebelplatz, local histórico da queima de livros pelos nazistas em 1933.

Dobrindt expressou preocupação com a participação de um partido que, segundo ele, abriga o antissemitismo. Prosor enfatizou que “os antissemitas nunca mais devem entrar no Parlamento, sejam eles de esquerda ou de direita”. Elif Eralp, filha de imigrantes turcos e líder de seu partido, conquistou recentemente a maior bancada no Parlamento de Berlim, consolidando sua candidatura à prefeitura, a qual também equivale a governadora, mas não foi convidada para a cerimônia.

O partido Esquerda enfrenta acusações de antissemitismo, hostilizando figuras pró-Palestina e criticando severamente o premier israelense Binyamin Netanyahu em relação a Gaza. Eralp já classificou, em outras ocasiões, as ações de Israel como genocídio, mas evitou discutir o tema durante sua campanha.

Prosor, por sua vez, afirmou que “o 7 de Outubro é que foi um genocídio, não o contrário”. A indicação de Eralp como prefeita requer uma coalizão com partidos de centro-esquerda, como os Verdes e o SPD, que buscam um posicionamento claro da candidata nas discussões. Na mesma data, lideranças desses partidos participaram de outro evento que rememorou as vítimas do ataque.

Uma instalação com 500 cadeiras decoradas por fotos de vítimas foi posta próximo ao Portão de Brandemburgo, enquanto Ron Dekel, presidente da União dos Estudantes Judeus da Alemanha, criticava o uso político do antissemitismo por diversos partidos. A CDU, partido de Merz, está utilizando as acusações contra Eralp para se fortalecer, enquanto lida com seu escândalo interno envolvendo membros se aproximando da extrema direita. Recentemente, a AfD elegeu sua primeira presidência parlamentar na Alemanha desde 1945, recebendo apoio oculto de aliados democratas-cristãos.

Merz, o primeiro-ministro, criticou a Esquerda ao questionar se a coligação estava colocando em risco os princípios fundamentais da sociedade. Ele lembrou que a existência de Israel é uma questão de Estado na Alemanha. Na mesma data, Emmanuel Macron, presidente da França, reafirmou o comprometimento de seu país em combater o antissemitismo e o terrorismo em todas as suas formas.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, declarou que a União Europeia está ao lado daqueles que tiveram suas vidas impactadas pelo ataque de 7 de Outubro, reafirmando o desejo de transformar o frágil cessar-fogo em uma paz duradoura baseada na solução de dois Estados. Andy Burnham, primeiro-ministro britânico, prometeu tomar medidas severas contra o antissemitismo, citando uma recente onda de ataques a locais judaicos no Reino Unido.

Do outro lado do Atlântico, o prefeito de Nova York, inspirado pela campanha de Eralp, afirmou que “o sofrimento não começou nem terminou naquele dia”. Classificando as ações do Hamas como “crimes de guerra horríveis”, ele manteve sua crítica ao governo israelense e ao apoio dos EUA a Netanyahu. O sofrimento, escreveu, “continuou com o genocídio devastador e contínuo perpetrado pelo governo israelense em Gaza”, lembrando que mais de 74 mil palestinos, entre eles mais de 21 mil crianças, foram mortos.

No final do dia em Berlim, cerca de 100 pessoas se reuniram em uma manifestação pró-Palestina no Checkpoint Charlie, com um número superior de policiais em comparação aos manifestantes. Tensos confrontos ocorreram à noite, com protestos se espalhando por vários bairros, incluindo a presença da ativista ambiental Greta Thunberg. A situação levou a diversas prisões, principalmente por agressões e por desrespeito à legislação alemã, como gritar “Intifada” e carregar símbolos do Hamas. Desde 2023, 12.500 processos criminais relacionados ao conflito no Oriente Médio foram registrados na capital alemã.

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