No Dia Mundial do AVC, comemorado nesta semana, especialistas alertam que a alimentação diária pode impactar diretamente os fatores de risco associados a acidentes vasculares cerebrais. Embora o controle da pressão arterial, a prática regular de exercícios e visitas ao médico sejam amplamente reconhecidos como essenciais, a escolha dos alimentos também desempenha um papel fundamental na prevenção, afetando condições como hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade.
Entre as dietas que mais têm sido estudadas pelo seu impacto positivo na saúde cardiovascular está a dieta mediterrânea. Essa abordagem enfatiza o consumo de alimentos naturais, como vegetais e oleaginosas, enquanto recomenda a diminuição da ingestão de produtos ultraprocessados.
A nutricionista Giselli Prucoli afirma que os alimentos aliados a esse padrão dietético trazem nutrientes que favorecem a saúde vascular. Ela explica que a dieta é rica em fibras, antioxidantes e gorduras insaturadas, sendo as fibras essenciais para o controle do colesterol e da glicemia, enquanto as gorduras saudáveis contribuem para a saúde do coração. Além disso, os antioxidantes ajudam a combater o estresse oxidativo, que está vinculado ao surgimento de várias doenças crônicas.
Embora o AVC ocorra no cérebro, sua ocorrência está intimamente relacionada a fatores de risco cardiovasculares. Isso acontece, por exemplo, quando um vaso sanguíneo que irriga uma região do cérebro é bloqueado, resultando no AVC isquêmico, ou quando há o rompimento de um vaso sanguíneo. O neurologista Victor Saadeh destaca a importância de manter a saúde dos vasos sanguíneos, afirmando que uma boa circulação é vital para que o cérebro receba oxigênio e nutrientes. Condições como hipertensão e aterosclerose comprometem essa circulação, aumentando assim o risco de um AVC. Uma alimentação balanceada ajuda a controlar esses fatores, sendo, portanto, essencial na estratégia de prevenção.
Giselli Prucoli também menciona que, apesar da dieta mediterrânea não ser uma garantia contra AVCs, pesquisas associam seus componentes a melhores índices de saúde cardiovascular e uma menor probabilidade de eventos vasculares. Ela observa que não é preciso investir em produtos caros ou importados para seguir essa dieta; ingredientes comuns à culinária brasileira, como feijão, frutas, verduras, legumes, peixes, castanhas e cereais integrais, podem ser incorporados para uma alimentação mais saudável.
Entre as orientações dos especialistas, destacam-se:
– Priorizar alimentos in natura e minimamente processados.
– Reduzir o consumo de produtos ultraprocessados.
– Variar fontes de fibras, antioxidantes e gorduras insaturadas.
Os alimentos recomendados incluem:
– Azeite de oliva: fonte de gorduras monoinsaturadas que favorecem a saúde cardiovascular.
– Peixes ricos em ômega-3, como sardinha e salmão, benéficos para o coração e vasos sanguíneos.
– Frutas vermelhas e roxas, como morango e uva, que contêm antioxidantes.
– Verduras de folhas verdes escuras, como couve, espinafre e brócolis, ricas em fibras e nutrientes.
– Castanhas e nozes, que oferecem gorduras insaturadas e fibras.
– Feijões e leguminosas, ricos em fibras e proteínas vegetais, que ajudam no controle do metabolismo e oferecem uma dieta protetora.
– Cereais integrais, como aveia, quinoa e arroz integral, que ajudam a manter o colesterol sob controle.
Por fim, os especialistas ressaltam que nenhuma dieta deve ser adotada sem a orientação de um profissional. Apesar dos padrões como a dieta mediterrânea estarem associados a benefícios para a saúde do coração, é importante lembrar que as necessidades nutricionais variam entre os indivíduos. Mudanças significativas na alimentação devem ser acompanhadas por um nutricionista para garantir que as escolhas sejam equilibradas e seguras.

