domingo, novembro 1, 2026
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Apenas 34% dos jovens se preparam para o futuro financeiro; descubra como iniciar seus investimentos.

Um estudo realizado pelo Instituto Locomotiva revela que 80% dos brasileiros com idades entre 18 e 30 anos expressam preocupação com suas finanças futuras, no entanto, apenas 34% deles tomam medidas efetivas para se preparar. Essa discrepância entre a preocupação e a ação aponta para um desafio significativo para os jovens que buscam acumular patrimônio e se planejar para a aposentadoria.

A pesquisa, encomendada pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, também indica que 65% dos jovens têm um conhecimento insuficiente ou praticamente inexistente sobre previdência privada. Além disso, 60% das decisões financeiras de jovens focam em horizontes de apenas seis meses.

Apesar disso, uma maioria de 65% acredita que a preparação para a aposentadoria deve iniciar antes dos 30 anos. Erika Almeida, uma assessora financeira do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo, sugere que a diferença entre a preocupação e a ação se deve a fatores comportamentais e econômicos.

“Preocupar-se custa pouco, enquanto agir exige abrir mão do consumo de hoje por um benefício distante e incerto”, afirma a especialista.

Para os jovens que enfrentam dívidas, Antônio Sanches, analista de alocação da Rico, recomenda realizar um diagnóstico do orçamento pessoal. A primeira etapa é mapear receitas e despesas, assim como identificar o valor das dívidas e as taxas de juros correspondentes.

A prioridade, conforme Sanches, deve ser a quitação ou renegociação das dívidas mais onerosas, como as do cartão de crédito e do cheque especial. Após isso, os jovens podem revisar gastos dispensáveis e começar a formar uma reserva financeira para emergências.

“Eliminar esses excessos não significa abrir mão do essencial, mas sim estancar a perda de dinheiro”, complementa Sanches. Ele destaca que despesas frequentes com aplicativos de entrega e gastos necessários para manter um padrão de vida que não condiz com a renda devem ser reconsiderados.

Erika Almeida recomenda uma sequência de passos para a organização financeira:

1. Criar uma reserva inicial equivalente a um ou dois meses de despesas.
2. Quitar dívidas com taxas de juros elevadas.
3. Aumentar a reserva para três a seis meses de gastos essenciais.
4. Manter uma reserva de até 12 meses quando a renda for irregular.
5. Investir regularmente, visando a aposentadoria de acordo com o perfil e os objetivos financeiros.

A especialista ressalta que essa ordem pode variar em situações particulares, como quando uma empresa oferece contrapartida em um plano de previdência, o que pode tornar vantajoso iniciar o investimento desde cedo.

A dependência da reserva e dos investimentos é algo que deve ser bem compreendido. Sanches alerta que é importante não concentrar todos os recursos em investimentos de longo prazo, pois isso pode prejudicar metas mais imediatas, como a compra de um carro ou a entrada em um imóvel.

Para objetivos que exigem um prazo mais curto, entre seis meses e dois anos, a orientação é buscar investimentos com alta liquidez e baixo risco. Para objetivos de médio prazo, cerca de cinco anos, pode-se optar por títulos de renda fixa. E para metas de longo prazo, alternativas como ações, fundos imobiliários e previdência privada são recomendadas.

Antes de realizar qualquer aplicação, Sanches sugere considerar três aspectos fundamentais: liquidez, segurança e rentabilidade esperada. Ele observa que é difícil encontrar um investimento que combine baixo risco, acesso imediato e alta rentabilidade.

Investimentos típicos como Certificados de Depósito Bancário, Letras de Crédito Imobiliário e Letras de Crédito do Agronegócio devem ser verificados quanto à proteção do Fundo Garantidor de Créditos, que cobre até R$ 250 mil por CPF. Por outro lado, as ações não oferecem essa segurança, já que o investidor assume os riscos da empresa ao se tornar sócio.

Uma análise comparativa feita pela Rico ilustra a importância de começar a investir cedo. Dois investidores que aplicaram o mesmo montante durante 30 anos, com um retorno de 1% ao mês, apresentaram diferenças significativas. O investidor que aplicou R$ 200 mensalmente acumulou cerca de R$ 705 mil, enquanto aquele que investiu R$ 4.800 a cada dois anos resultou em pouco mais de R$ 628 mil. Apesar de ambos terem investido um total de R$ 72 mil, a diferença de R$ 84 mil se deveu ao tempo que os aportes mensais passaram rendendo juros compostos.

Outra simulação evidencia o custo de adiamentos. Um investimento de R$ 200 mensais com um rendimento de 1% ao mês, se iniciado imediatamente, poderia acumular R$ 705 mil em 30 anos. Porém, se o início for aguardado por cinco anos, o total estimado ao final de 25 anos cairia para R$ 379 mil.

Para Erika Almeida, o foco antes dos 30 anos deve ser o desenvolvimento do hábito de investir, com o primeiro aporte podendo ser simbólico, desde que tenha continuidade e cresça conforme a renda. Ela também sugere que, em caso de dificuldades em reservar dinheiro mensalmente, os jovens devem utilizar rendimentos extras, como 13º salário ou restituição do Imposto de Renda, para constituir sua reserva de emergência. Além disso, Sanches recomenda automatizar transferências assim que o pagamento for recebido, prevenindo gastos impulsivos.

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