O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, junto com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou uma nova estratégia econômica, chamada de “Dia D econômico” para o Irã, como uma alternativa a uma intervenção militar que não obteve sucesso. Essa ação marca uma mudança na forma tradicional de pressão dos Estados Unidos sobre adversários.
Tradicionalmente, a Casa Branca adota a diplomacia para resolver questões como o desmantelamento do programa nuclear iraniano. Somente após tentativas frustradas é que são impostas sanções econômicas, com a ação militar reservada para situações extremas onde há risco à vida de americanos.
Entretanto, Trump passou rapidamente de uma tentativa de diálogo para ações militares, visando forçar o Irã a renunciar seus 11 mil quilos de urânio enriquecido, na expectativa de provocar o colapso do regime iraniano.
As operações militares, no entanto, falharam em seus objetivos, resultando na morte de 18 americanos e em um número significativo de iranianos, além de gerar um custo que analistas, independentemente do Pentágono, avaliam em mais de US$ 100 bilhões.
Agora, Trump e Bessent se lançam no que chamam de Operação Pária Econômico, descrita como uma campanha inédita para eliminar as fundações econômicas que sustentam a República Islâmica do Irã. O esquema busca bloquear quaisquer transações que resultem em transferência de dinheiro para Teerã, abrangendo operações digitais, trocas de petróleo de navio a navio e movimentações de ouro pelo mundo.
Entretanto, essa abordagem levanta questionamentos não respondidos pela administração. Por que estas sanções radicais não foram implementadas antes da ordem de combate militar, que já expôs as fraquezas do poderio militar dos EUA?
Com as Forças Armadas já envolvidas, surge a preocupação sobre o que acontecerá com a China, que em 2025 adquiriu mais de 80% das exportações de petróleo iraniano. Estaria o governo americano disposto a confrontar Pequim, sua maior rival em diversas questões, incluindo inteligência artificial e Taiwan?
Embora o objetivo do primeiro Dia D, nas praias da Normandia, não implicasse a participação da China, essa nova estratégia econômica depende da disposição de Pequim em colaborar.
Peter Harrell, especialista em sanções, observou que a pressão sobre a China não foi priorizada por Trump, que optou por manter uma agenda econômica amigável com Xi Jinping. Ele destacou que seria politicamente mais viável bloquear simplesmente os petroleiros iranianos do que impor sanções severas a empresas chinesas que continuassem a negociar com Teerã.
A situação é complexa e, apesar das ameaças de sanções secundárias por parte de Bessent a países que ainda mantiverem relações comerciais com o Irã, ele evitou mencionar a China, reconhecendo que essa nação detém um papel crucial para o sucesso da nova estratégia americana.
Historicamente, esforços para isolar economicamente o Irã iniciaram-se na administração de George W. Bush, com Obama também tentando impor pressões durante sua gestão. As sanções mais rigorosas contribuíram para o acordo nuclear de 2015, que limitou as atividades nucleares do Irã em troca da suspensão das sanções. Contudo, Trump se afastou desse acordo em 2018, reinstituindo as sanções, acreditando que a pressão econômica seria insuportável para os líderes iranianos.
Embora essas sanções não tenham impedido o Irã de exportar entre dois e três milhões de barris de petróleo diariamente, a atual restrição naval tem reduzido esses números. Contudo, os materiais nucleares permanecem em seus locais de armazenamento desde os bombardeios americanos em junho de 2025.
Por fim, um aspecto intrigante da abordagem de Bessent foi sua referência a uma promessa anterior de Trump sobre criar as condições para uma mudança de regime no Irã. Trump tinha inicialmente a expectativa de que a guerra seria breve e encorajou o povo iraniano a tomar as rédeas do país após os ataques americanos. No entanto, ao perceber a realidade no terreno, ele ajustou sua estratégia, admitindo que o povo iraniano carecia da organização necessária para efetuar tal mudança.



