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domingo, setembro 20, 2026
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Conflitos entre vizinhos resultam em três mortes e geram discussão sobre armamento de policiais militares no ES

Dois incidentes entre vizinhos no Espírito Santo resultaram em três mortes e envolveram policiais militares em situações separadas. Em um dos episódios, que ocorreu em Vitória, um policial de folga matou um músico após uma discussão sobre barulho. No outro caso, em Cariacica, um cabo da Polícia Militar matou duas mulheres em uma briga pessoal.

Os dois eventos aconteceram com uma diferença de três anos e estão entre os registros de violência envolvendo agentes de segurança, segundo um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social. Entre janeiro de 2018 e agosto de 2026, foram documentadas 179 ocorrências no estado. Destes, 114 foram registros de lesão corporal, 57 foram classificados como vias de fato e oito envolviam disparos de arma de fogo, incluindo ao menos 82 relacionados a membros da Polícia Militar.

O primeiro caso trata da morte do músico Guilherme Rocha, de 30 anos, que ocorreu em Jardim Camburi, Vitória, na madrugada de 17 de abril de 2023. Guilherme havia solicitado a um grupo que abaixasse o volume do som em seu condomínio. A situação escalou e envolveu o policial militar Lucas Torresani, que, após se identificar como PM, disparou contra o músico. A Polícia Civil também indicou que Torresani teria tentado combinar versões com seus amigos para justificar o ato como legítima defesa.

As investigações foram encerradas em 2023, e em 20 de maio de 2026, o ex-policial foi condenado a 30 anos de prisão por homicídio qualificado e mais dois anos por abuso de autoridade, totalizando 32 anos de pena. Além disso, ele deve pagar R$ 500 mil à família da vítima.

Três anos depois, em 8 de abril de 2026, outro conflito em Cariacica resultou na morte de duas mulheres. O cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale foi chamado para intervir em uma briga envolvendo sua ex-esposa e as vítimas, Daniele Toneto Rocha, que faleceu no local, e Francisca Chaguiana Dias Viana, que não sobreviveu aos ferimentos após ser socorrida.

O cabo foi preso e o caso foi registrado como um duplo homicídio. Câmeras de segurança documentaram os disparos. A irmã de Francisca denunciou que a vítima tinha medo da ação do policial e acredita que ele foi ao local com a intenção de matar.

Seis policiais militares que estavam presentes durante as mortes foram afastados e tiveram o porte de armas suspenso. Posteriormente, a Justiça Militar autorizou que esses policiais retornassem a atividades internas, sem atuação na rua, enquanto continuam sob investigação por não terem impedido as mortes.

O major Rubens, da Corregedoria da Polícia Militar, declarou que a eventual responsabilização dos agentes depende de uma investigação formal que assegure o direito ao contraditório e ampla defesa. Além disso, deve-se avaliar se houve uma violação do Código de Ética da instituição.

O Estatuto do Desarmamento permite que os policiais militares possuam autorização para portar armas em todo o país, mas isso não implica autorização automática para fazer uso delas de forma indiscriminada.

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