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domingo, agosto 30, 2026
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Crise de Poluição: Associação Exige Soluções para Esgoto na Serra

Moradores exigem soluções e criticam a lentidão nas obras

Amman

Os habitantes e organizações ambientais da Serra têm solicitado medidas efetivas para as recorrentes denúncias de despejo de esgoto em rios e praias da região. Morena Joffily, presidente da Associação de Moradores do Balneário de Manguinhos (Amman), destaca que a problemática é antiga, já que a comunidade convive há pelo menos 15 anos com a falta de tratamento adequado do esgoto antes de seu despejo no mar.

“A situação é crítica. O esgoto está sendo lançado in natura em vários córregos da Serra, chegando diretamente ao mar, especialmente no Córrego Laripe”, afirma Morena. Ela ainda menciona que, apesar da atuação da Ambiental Serra, concessionária responsável pelo serviço de esgotamento sanitário, a realidade não se alterou. “Não posso afirmar que piorou, mas também não houve melhorias. Até agora, a situação permanece inalterada”, revelou.

Morena assinala que a situação é mais evidente na praia da Chaleirinha, em Manguinhos. O local, que possui formações rochosas que criam pequenas piscinas naturais na maré baixa, acumula água contaminada e impede o uso por parte dos residentes.

“Na maré baixa, formam-se pequenas poças devido às rochas lateríticas, e nessas poças se acumula esgoto. Portanto, a condição é totalmente inadequada para o uso”, relatou.

A presidente alerta que o problema não se limita a Manguinhos. Segundo ela, situações semelhantes ocorrem em córregos e praias de Jacaraípe, Bicanga, Carapebus e outras áreas da Serra. A associação já procurou diversos órgãos públicos, como a Prefeitura e o Ministério Público, em busca de soluções.

Entre as respostas obtidas, está a promessa de expansão da Estação de Tratamento de Esgoto de Manguinhos (ETE Manguinhos) e uma intervenção de despoluição no Córrego Laripe. Esse projeto, conforme Morena, serviria como modelo para outras iniciativas similares na região.

“Foi anunciado o aumento da capacidade da ETE Manguinhos e uma intervenção de despoluição no Córrego Laripe, que seria um projeto inicial a ser replicado em outros locais. Mas até agora, nada disso se concretizou”, declarou.

Ela também levanta questionamentos sobre o andamento das obras anunciadas. Segundo a presidente, moradores foram informados de que a ampliação estava em progresso, mas até o momento não observaram sequer a contratação da equipe envolvida na intervenção. “Promessas têm sido feitas em reuniões políticas, mas até agora nada saiu do papel”, afirmou.

Proposta do emissário gera desconfiança

Outra solução proposta para a situação é a construção de um emissário submarino. No entanto, Morena considera que essa alternativa, por si só, não assegura o tratamento eficaz do esgoto. “Um emissário simplesmente direciona o esgoto para um ponto mais distante, mas não garante que o tratamento será realizado. Se já não tratam adequadamente o esgoto aqui, o que podemos esperar lá fora, onde a fiscalização é mínima?”, criticou.

Os impactos da poluição vão além do meio ambiente. Manguinhos possui atividades pesqueiras, turísticas e um setor gastronômico que depende da visitação. “Temos restaurantes. Para que eles prosperem, precisamos de turismo. Como podemos atrair visitantes se a região está poluída?”, questionou Morena.

Ela também destaca os prejuízos para os pescadores que dependem do mar para o sustento. “Manguinhos é um vilarejo de pescadores. Se o mar está poluído, como eles podem garantir seus meios de vida?”, indagou. Para Morena, as consequências da poluição afetam severamente a saúde, a atividade econômica, o turismo e a cultura local. “A poluição repercute negativamente em todos os aspectos da comunidade de Manguinhos”, afirmou.

Nilton Cardoso

Problemas com ligações irregulares

Claudiney Rocha, presidente do Instituto Brasileiro de Fauna e Flora (IBRAFF), ressalta o agravante do problema das ligações irregulares de esgoto nas redes de drenagem. Dados da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), apresentados em audiência pública, indicam a presença dessas ligações, que contribuem para o despejo de esgoto em corpos hídricos. “Há muitas ligações irregulares, e a quantidade de esgoto que chega aos rios aumenta devido a isso”, afirmou.

De acordo com Claudiney, essa queda de braço entre as empresas de saneamento e a Prefeitura sobre a responsabilidade pela fiscalização demonstra uma falta de ação. “Cesan aponta a Prefeitura como responsável, enquanto a Prefeitura joga a culpa na Cesan. Quem deve realmente fiscalizar é a Prefeitura”, comentou. Ele enfatiza que o poder público deve utilizar os dados disponíveis sobre ligações irregulares para responsabilizar quem polui. “É preciso tomar medidas para corrigir essa situação”, enfatizou.

Ele ressalta que, além do governo e das empresas, a população também deve cumprir as normas ambientais e evitar o despejo irregular de esgoto e resíduos. “Todos têm suas responsabilidades. A comunidade deve agir de forma correta. A Prefeitura precisa fiscalizar não apenas os moradores, mas também as empresas que lançam esgoto nas redes pluviais”, afirmou.

Claudiney alerta que, além do esgoto, o lixo também é uma grande ameaça à fauna marinha. O IBRAFF continua registrando a presença de animais afetados pela poluição, como tartarugas marinhas. “O esgoto influencia fortemente a saúde das tartarugas, e casos de tumores são um reflexo do esgoto lançado nos córregos, alcançando o mar”, comentou.

Morena reafirma que a associação continuará pressionando os órgãos competentes. Ela ressalta que os moradores estão se organizando, participando de reuniões e exigindo que Prefeitura e empresas de saneamento implementem as medidas prometidas. “Estamos sempre exigindo a concretização dessas promessas”, finalizou.

A presidente da associação argumenta a necessidade de priorizar a proteção ambiental nas políticas públicas, considerando os efeitos da degradação e das mudanças climáticas. “Estamos enfrentando uma crise ambiental global; por isso, essa questão deveria ser central em qualquer proposta do governo”, concluiu. Para ela, os problemas nos rios e praias da Serra não podem ser considerados secundários em meio ao crescimento urbano e econômico da área. “Se o esgoto é despejado nas praias, todos sofrerão as consequências, desde a comunidade até o país e o mundo”, finalizou.

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