Helkia Barbosa Batista, uma mulher de 47 anos, inicia suas atividades antes mesmo do amanhecer, realizando o corte da coalhada para a produção de queijo. Após atender a esta demanda, ela se transforma, abandonando temporariamente suas tarefas na produção de laticínios e na agricultura para se dedicar a um novo empreendimento: uma academia de pilates voltada para a saúde e bem-estar.
Localizada no distrito rural de Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo, Helkia combina o cultivo de alimentos com atividades que promovem saúde aos moradores da região. Além da agroindústria que mantém, ela diversificou sua atuação ao abrir a academia de pilates.
A transição de sua vida como produtora rural para empresária exemplifica a força de quem, após enfrentamentos pessoais, como o divórcio e a criação de dois filhos, encontrou maneiras de assegurar a renda da família sem abandonar suas raízes na terra.
Filha de agricultores, Helkia sempre conheceu as dificuldades que caracterizam a atividade rural e a necessidade de investimento para viabilizar oportunidades. Com a ajuda do programa de microcrédito rural Agroamigo, do Banco do Nordeste, ela adquiriu equipamentos como geladeira e fogão industrial, que otimizam sua produção e melhoram as condições de trabalho.
O progresso obtido por Helkia não se resume a números, mas se traduz em novas possibilidades. “Uma coisa foi abrindo caminho para outra”, afirma, destacando como a estabilidade nos negócios criou espaço para novos projetos, como a academia de pilates inaugurada no início do ano.
Ela aponta a importância do apoio financeiro, ressaltando que, sem oportunidades de investimento, muitas pessoas abandonam o campo. No entanto, a realidade vem mudando, com muitos retornando à agricultura quando encontram condições favoráveis. A crescente participação feminina em empreendimentos rurais é um reflexo da mudança que o Agroamigo trouxe, com mulheres liderando a solicitação de crédito rural e se tornando maioria entre os beneficiários do programa.
Em análise sobre a situação das mulheres na agricultura, Eduardo Araújo, economista e professor, destaca que muitas já apresentam conhecimento e potencial, mas enfrentam dificuldades para acessar capital inicial. Ele enfatiza que o microcrédito, para pequenas produtoras, pode ser a diferença entre vender commodities a preços baixos ou produtos de maior valor agregado.
O microcrédito é visto como uma ponte que liga o trabalho das mulheres no campo à geração de renda, promovendo assim uma maior autonomia econômica e melhores condições de permanência no meio rural.
No contexto do Agroamigo, as mulheres aumentaram significativamente sua participação nos últimos dez anos. O volume de operações de crédito contratado por elas cresceu de cerca de 221 mil em 2015 para aproximadamente 403 mil em 2025, representando um crescimento de 82%. Hoje, elas representam 54% do total de operações, superando os homens e consolidando sua liderança no microcrédito rural fornecido pelo Banco do Nordeste.



