Na noite de terça-feira, 25, o estudante de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Diego Costa da Silva Araújo, foi espancado por colegas após ser visto em um campus com uma camiseta e acessórios relacionados ao nazismo. Em uma entrevista ao jornalista Pedro Doria, divulgada no canal Meio no YouTube, Diego negou ser nazista e afirmou que as acusações contra ele não possuem fundamento. O caso está sob investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
“Minha mente está pacífica. Eu não cometi nenhum crime. Nada do que me acusam é real”, declarou o estudante, ao se posicionar politicamente como pertencente à esquerda marxista. Ele mencionou seu interesse pela iconografia e simbologia nazista, que, segundo ele, foi apropriada de diversas culturas, bem como pelo fascismo enquanto um “fenômeno social”.
Diego afirmou que não compactua com ideais fascistas ou nazistas, descrevendo-se como um mero estudioso do tema. Ele negou ter vínculos com grupos extremistas, ressaltando que sua interação com esses grupos foi apenas como observador. “Não tenho histórico de participação em grupo Redpill, Telegram ou Discord. Nunca estive envolvido com esses grupos dessa maneira”, garantiu.
Sobre a camiseta que gerou a reação violenta, Doria informou que se tratava de uma blusa da banda punk Death in June, que possui um símbolo semelhante ao da Schutzstaffel (SS), organização paramilitar nazista. Quando questionado sobre a associação, Diego defendeu que o punk utiliza certos símbolos de forma a ridicularizá-los, e fez uma diferença entre a caveira de sua camiseta e a da SS.
“Não é a caveira da ‘SS’, é uma caveira modificada, uma caveira de crânio neandertal. Isso é importante”, explicou. Além disso, ele mencionou que o broche que usava não era uma apologia ao nazismo, mas sim uma suástica com um símbolo de proibição, indicando seu posicionamento antinazista.
As agressões ocorreram nas instalações do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e do Instituto de História (IH), no Centro do Rio de Janeiro. Em sua entrevista, três dias após o espancamento, Diego disse que ainda sente dores pelo corpo e que o impacto emocional do ocorrido o deixou “apático”, sem apetite e dificuldades para dormir.
O conflito começou quando outros alunos tentaram abordar Diego e chamar a segurança do campus para removê-lo do local, o que rapidamente escalou para uma briga física, com xingamentos e violência, incluindo socos e chutes. Diego classificou o incidente como uma tentativa de homicídio e negou ter feito comentários racistas durante a altercação.
A Polícia Civil está investigando o caso, analisando gravações de testemunhas e realizando diligências para esclarecer as alegações de apologia ao nazismo e as agressões.
A UFRJ, por sua vez, anunciou a formação de uma comissão de sindicância para investigar o ocorrido. Em comunicado oficial, a reitoria da universidade condenou qualquer forma de apologia ao nazismo, fascismo, racismo ou intolerância. A instituição também enfatizou a importância de um ambiente acadêmico que priorize a convivência democrática, e reforçou ações com a comunidade estudantil para prevenir futuros conflitos no campus.



