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quinta-feira, agosto 27, 2026
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Governo registra superávit de R$ 10,8 bilhões em julho, impulsionado pelo petróleo no caixa da União

O governo central alcançou um superávit primário de R$ 10,783 bilhões em julho, conforme anunciado pelo Tesouro Nacional nessa quinta-feira (27). Este resultado está em linha com as projeções do mercado e representa uma recuperação significativa em relação ao déficit de R$ 59,070 bilhões registrado no mesmo mês de 2025, que foi influenciado por uma alteração no cronograma de pagamentos de precatórios feita pelo governo.

Os economistas previam um superávit de R$ 10,679 bilhões para o mês anterior, considerando as contas do Tesouro, Banco Central e Previdência Social. O desempenho em julho resultou de receitas líquidas — que excluem transferências para entes federativos — totalizando R$ 226,305 bilhões, representando um aumento real de 7,7% em comparação com julho de 2025. As despesas totais somaram R$ 215,522 bilhões, uma redução real de 20,7%.

Este ano, o calendário de pagamentos de precatórios foi antecipado para março, ao contrário do que ocorreu no ano passado, quando os desembolsos foram realizados em julho. Os dados do Tesouro indicam uma drástica queda de 99% nas despesas com sentenças judiciais entre julho do ano passado e o mês em questão, resultando em uma economia de R$ 37,1 bilhões em relação ao mesmo período.

Em relação a outros gastos, houve uma diminuição de R$ 18,1 bilhões nos benefícios previdenciários (-17,7%), afetados pelos menores desembolsos com precatórios, assim como nos pagamentos de pessoal e encargos sociais, que caíram R$ 4,2 bilhões no mês (-8,9%). Em contrapartida, houve um acréscimo de R$ 4,2 bilhões nos gastos com créditos extraordinários devido às ações de mitigação dos efeitos econômicos decorrentes do conflito no Oriente Médio.

No que diz respeito às receitas, o resultado mensal foi alavancado por um aumento de R$ 7,0 bilhões no Imposto de Renda, um crescimento de 9,1% em relação a julho de 2025. Também se destacaram os ganhos de R$ 5,0 bilhões provenientes da exploração de recursos naturais, com uma alta de 29,4%, e R$ 4,2 bilhões em receitas previdenciárias líquidas, que aumentaram 7,4%. Esses aumentos compensaram a queda de R$ 3,0 bilhões na arrecadação de Cofins (-9,0%) e a redução de R$ 1 bilhão no Pis/Pasep (-10,9%).

No acumulado de janeiro a julho, o governo central registrou um déficit primário de R$ 81,305 bilhões, superior ao déficit de R$ 70,347 bilhões do mesmo período de 2025. Nos últimos 12 meses, o governo acumula um déficit de R$ 71,6 bilhões, equivalente a 0,55% do PIB. O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, destacou que a elevação das receitas está relacionada ao aumento no preço do petróleo, impulsionado pela guerra no Oriente Médio.

Leal informou que o imposto sobre exportação de petróleo gerou R$ 8 bilhões em receitas até julho, além dos ganhos extraordinários em participações especiais de petróleo e na arrecadação relacionada à exploração de recursos naturais. As receitas obtidas superam os R$ 7 bilhões gastos pelo governo em subsídios a combustíveis, que visam amenizar a pressão inflacionária nos preços.

Recentemente, uma decisão da Justiça Federal suspendeu a cobrança do imposto de exportação sobre o petróleo, mas Leal optou por não comentar sobre a situação ou sobre as possíveis ações do governo. Ele reforçou que o compromisso da administração é cumprir a meta fiscal, afirmando que, em caso de redução de receitas, alternativas devem ser administradas para controlar as despesas.

A meta fiscal para 2026 é um superávit equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), com uma tolerância de 0,25 ponto percentual, além de algumas despesas que não estão contabilizadas.

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