O dia em que o herdeiro do trono enfrentou a derrota nas urnas e a realidade
No dia 30 de outubro de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva foi declarado vencedor do segundo turno das eleições presidenciais, obtendo 51,79% dos votos válidos. Entretanto, o candidato derrotado, que se considerava o legítimo sucessor ao cargo, recusou-se a reconhecer o resultado e adotou uma postura de desdém. Em vez de aceitar a decisão democrática, o ex-candidato preferiu agir como se o Brasil inteiro estivesse equivocado, exceto ele próprio.
Assim, começou um espetáculo que poderia ser facilmente confundido com uma peça de teatro de cordel. Ciente de que o ministro do STF Alexandre de Moraes havia determinado que ele não pudesse deixar o país, o ex-candidato decidiu agir de forma audaciosa e furtiva. Com um plano audacioso, conseguiu evitar a Polícia Federal, atravessou a fronteira argentina e embarcou em um jatinho particular rumo ao Estados Unidos, deixando atrás de si um cenário de confusão e indignação.
Ao chegar em Miami, próximo a palmeiras artificiais e ao aroma típico da comida americana, ele teve uma revelação que poderia ser descrita como uma autoproclamação real. Em sua primeira ação, redigiu um manifesto insurgente, onde se intitulava presidente do Brasil, mesmo do outro lado do mundo. Essa atitude estava mais para uma birra infantil do que uma demonstração de liderança.
Entretanto, o isolamento político do ex-candidato se aprofundou rapidamente. Os membros de sua própria campanha, que antes o apoiavam, agora se distanciavam, mostrando-se desconcertados com seu comportamento. Na capital, a percepção geral entre eles era de constrangimento, enquanto deliberavam em conversas discretas sobre a situação embaraçosa de ter um sujeito tão imaturo à frente.
Nem mesmo os governadores aliados se mostraram dispostos a se comprometer com uma figura que parecia cada vez mais um personagem fictício. Apenas um político em sua base, em um estado do sudeste, decidiu se referir a ele como presidente nas redes sociais, num ato oscilante entre apoio e ironia.
O abandono por parte de seus antigos apoiadores equivaleu, simbolicamente, às tropas de Macduff marchando em direção ao castelo do usurpador na obra de Shakespeare. Isolado em sua residência climatizada, ele percebeu que fora de seu círculo privado, ninguém estava disposto a apoiar suas reivindicações insensatas.
A situação culminou em um recuo humilhante, com sua autoproclamação como presidente durando apenas cerca de uma hora. Envergonhado, ele retirou o rótulo de "presidente eleito", substituindo-o por "líder do Brasil", uma manobra que parecia patética aos olhos do público. A ficção trágica de sua realidade não se assemelhava a uma obra clássica, mas a um caso contemporâneo de uma crise política, encerrando-se em comentários digitais, com uma figura imatura lamentando a falta de companhia em suas travessuras.
Rubem Roschel é um jornalista e cronista.

