Na noite de segunda-feira, 26, o júri popular que analisaria o caso da ex-secretária do médico Vítor Murad, acusada de envenenamento, foi anulado. Bruna Garcia Barbosa Marinho é suspeita de ter envenenado o cardiologista de 91 anos com arsênio, administrado em seu consultório localizado em Vitória.
De acordo com o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), a decisão de anular o júri ocorreu após o juiz avaliar que a defesa da acusada não apresentou argumentos suficientes. Com a anulação, um novo julgamento será agendado, com a seleção de novos jurados e a definição de uma nova data a ser divulgada posteriormente.
Antes da dissolução do Conselho de Sentença, o médico Vítor Murad prestou seu depoimento. Em seu relato, ele mencionou que não vê a situação apenas como uma tentativa de homicídio, afirmando que a ex-secretária não apenas tentava matá-lo, mas efetivamente o estava fazendo, o que considera uma traição grave por parte de alguém de quem tinha grande consideração.
A acusação detalha que, de forma sistemática, a ex-secretária teria envenenado o médico, misturando pequenas quantidades da substância em alimentos que ele consumia. Bruna foi detida em outubro do ano anterior, após uma investigação que durou cerca de um ano. A polícia encontrou arsênio no depósito da clínica onde ela trabalhava, e a nota fiscal da compra estava em nome de seu marido, que foi detido, mas liberado após comprovar sua ignorância sobre a transação.
Bruna estava na clínica desde 2013 e tinha acesso às finanças do local, onde foi notado um desvio de mais de R$ 500 mil, o qual é investigado separadamente. Segundo o MP, os laudos forenses confirmam o envenenamento e indicam que os sintomas desapareceram após a saída de Bruna do trabalho. O promotor responsável declarou que as evidências são robustas e suficientes para a condenação.
Além disso, a defesa tentou questionar a atual esposa do médico em relação a um testamento e a um seguro de vida, mas o promotor ressaltou que tais documentos foram elaborados após o período descrito como de envenenamento e que não há provas contra a mulher.

