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terça-feira, setembro 8, 2026
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Mulheres utilizam IA para reconhecer agressores antes do primeiro encontro

Mulheres estão cada vez mais utilizando aplicativos com inteligência artificial para garantir sua segurança antes de encontros. Ferramentas como Plinq e Puft.IA têm se destacado por realizar investigações online e checar antecedentes criminais em questão de segundos.

Esses aplicativos operam através de uma agregação automatizada de dados, que é feita por robôs que consultam bases públicas, como Tribunais e redes sociais. O consultor especializado em direito digital, Bruno Costa Teixeira, aponta que os sistemas buscam confirmar se as informações encontradas correspondem à pessoa pesquisada e, então, uma inteligência artificial gera um relatório em linguagem acessível. Essa prática, similar ao background check, permite que registros publicamente disponíveis sejam acessados rapidamente.

A Plinq é uma dessas plataformas, possuindo mais de 63 mil usuários cadastrados. Ela busca dados públicos a partir do nome e telefone do usuário e gera um relatório de risco. A criadora do aplicativo, Sabrine Matos, informa que já foram realizadas mais de 70 mil pesquisas, das quais 10% trouxeram alertas relacionados a casos de violência doméstica.

Além de processos criminais, a plataforma também fornece informações como estado civil, signo e data de nascimento. Layla de Freitas, presidente da Comissão da Mulher Advogada, ressalta que, quando utilizados para agregar dados públicos, esses recursos são legais e uma extensão do espírito preventivo da Lei Maria da Penha.

Porém, a advogada Sandra Araujo destaca que nem todas as mulheres têm condições financeiras ou disposição para arcar com esses serviços. Ela menciona que existem alternativas gratuitas disponíveis. Helena, por exemplo, uma mulher de 37 anos que prefere não revelar sua identidade, começou a se relacionar com um rapaz e, ao sentir desconfiança, seu amigo advogado a orientou a pesquisar antecedentes na internet. Ela descobriu que o homem tinha processos relacionados à Lei Maria da Penha e uma medida protetiva, e, desde então, continua a fazer esse tipo de pesquisa antes de novos encontros.

Embora esses aplicativos sejam úteis, Layla de Freitas alerta que a ausência de registros não significa que a pessoa não represente um risco, uma vez que certos casos, como medidas protetivas e processos de violência doméstica, frequentemente são mantidos em sigilo. Ela destaca que uma “tela limpa” em um aplicativo não garante segurança.

Além de verificar dados, comportamentos como controle excessivo e ciúmes desproporcionais devem ser considerados sinais de alerta relevantes, completam os especialistas. Bruno Teixeira observa que consultar informações para segurança é permitido, mas divulgá-las de forma inadequada pode levar a consequências legais, como difamação e perseguição.

A advogada Sandra Araújo afirma que, ao descobrir um histórico problemático, a mulher não deve agir precipitadamente, mas se sentir ameaçada deve buscar ajuda, com opções como a Delegacia da Mulher e linhas de emergência como 180 e 190.

Após um longo casamento, a publicitária Jessica Soma enfrentou o desafio de voltar a namorar e se preocupou com sua segurança. Ao utilizar aplicativos de relacionamento, ela decidiu verificar informações sobre seus potenciais encontros na internet como forma de se sentir mais segura. Mesmo conhecendo aplicativos de checagem, preferiu realizar pesquisas manuais.

Os aplicativos de investigação reúnem rapidamente informações disponíveis em fontes públicas, como tribunais e redes sociais, produzindo relatórios que ajudam a identificar riscos antes de encontros. Contudo, esses recursos não substituem uma checagem aprofundada, pois não conseguem acessar informações não públicas, como boletins de ocorrência que ainda não se tornaram processos.

Essas ferramentas operam legalmente, desde que utilizem dados públicos com finalidades legítimas, como a proteção da integridade física. Apesar de respeitar as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), as informações não podem ser utilizadas de maneira abusiva.

Entretanto, é importante lembrar que erros podem ocorrer, como a confusão de pessoas com nomes semelhantes ou informações desatualizadas. Portanto, o resultado de uma investigação não deve ser considerado como uma verdade absoluta. As plataformas tendem a minimizar esses riscos por meio do cruzamento de dados.

Em suma, a utilização dessas ferramentas por mulheres reflete uma busca por segurança e prevenção contra a violência. Os aplicativos representam uma extensão de práticas já comuns entre as mulheres, como compartilhar sua localização e marcar encontros em locais públicos.

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