domingo, outubro 18, 2026
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Novo exame para diagnóstico do Alzheimer chega ao país.

Estimativas indicam que, até 2050, o Brasil poderá ter mais de cinco milhões de casos de demência. Apesar dessa previsão alarmante, cerca de 80% dos pacientes não possuem um diagnóstico formalizado, conforme informações da Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz).

O Alzheimer é uma das demências mais recorrentes, sendo responsável por 70% dos casos mundialmente. Para facilitar o diagnóstico, que ainda é considerado complexo e demorado, um novo exame de sangue, que foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), começou a ser disponibilizado no Brasil.

O exame, lançado inicialmente no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), tem um custo aproximado de R$ 3 mil e identifica a presença da proteína p-tau217 no sangue, um biomarcador que reflete os processos biológicos relacionados ao Alzheimer.

Recentemente, a Anvisa também autorizou o Elecsys pTau217, um teste desenvolvido pela Roche Diagnóstica, que mede a proteína tau fosforilada 217 (pTau217) no sangue.

A neurologista Marina Tanure explica que o teste não avalia diretamente o amiloide, mas usa a alteração na tau como um indicador para identificar os processos biológicos associados à doença. “Sua relevância reside em adicionar informações à avaliação clínica. Com isso, ao identificar uma dificuldade de memória ou outras funções cognitivas, é possível investigar se o Alzheimer é a causa. Isso contribui para um diagnóstico mais preciso”, destaca.

Um resultado positivo do exame sugere uma alta probabilidade de que a patologia amiloide esteja associada ao Alzheimer, mas a neurologista alerta que, sem a avaliação médica, um resultado isolado não é suficiente para confirmar a demência, nem para afirmar que todos os sintomas sejam decorrentes do Alzheimer.

A neurologista Alyne Mendonça aponta que o exame pode atuar como uma ferramenta de triagem e, dependendo do tipo de teste, até como um método confirmatório. “Isso representa um avanço significativo na prática neurológica, considerando que a análise do líquido cefalorraquidiano envolve uma punção lombar e o PET cerebral é um procedimento mais complexo e dispendioso”, explica.

Contudo, Alyne enfatiza que será necessário, em casos de resultados inconclusivos, recorrer a métodos tradicionais.

O Alzheimer figura como o segundo temor mais comum entre os brasileiros, apenas atrás do câncer. A detecção precoce da doença é crucial para aumentar as chances de cuidado e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. No entanto, a neurologista Mariana Grenfell ressalta que os novos exames de sangue não devem ser usados como ferramentas de rastreamento em pessoas assintomáticas ou como substitutos para consultas com neurologistas.

“A avaliação clínica, os testes cognitivos e a investigação de possíveis causas dos sintomas ainda constituem a base do diagnóstico. O biomarcador é útil quando existe uma dúvida diagnóstica relevante”, explica Mariana.

Ela acrescenta que identificar alterações biológicas não equivale, por si só, a um diagnóstico clínico. “É necessário correlacionar os resultados com os sintomas, a avaliação cognitiva e a evolução do paciente”, afirma.

Marina Tanure destaca que ter um parente com Alzheimer não é, por si só, uma justificativa para realizar os exames em indivíduos assintomáticos. Os testes são recomendados apenas para aqueles que apresentam sinais, sintomas ou queixas de declínio cognitivo.

A solicitação do exame deve ser realizada por um médico e precisa ter um objetivo claro: entender se uma alteração cognitiva é decorrente do Alzheimer.

O Hospital Moinhos de Vento agora oferece o exame de sangue que detecta a p-tau217, contribuindo para a investigação do Alzheimer, um teste que recebeu a aprovação da Anvisa. A tecnologia está disponível de forma privada, sendo prevista uma futura integração a planos de saúde e ao Sistema Único de Saúde (SUS) até 2026, através de parcerias.

O exame precisa ser prescrito por um profissional da saúde e pode ser solicitado pelo telefone indicado pelo hospital.

Além disso, a Anvisa também aprovou recentemente o Elecsys pTau217, um teste automatizado que mede a p-tau217, um biomarcador associado às modificações biológicas do Alzheimer. Segundo a Roche, o teste estará acessível nos principais laboratórios do país ainda neste ano, mediante pedido médico.

O exame determina a quantidade da proteína tau fosforilada 217 no sangue, cujos níveis estão ligados ao acúmulo de beta-amiloide no cérebro, uma das características do Alzheimer. Embora não faça a medição direta das placas amiloides, o teste é útil na investigação da presença da patologia.

De acordo com Marina Tanure, os exames são indicados para aqueles que apresentam sinais, sintomas ou queixas de declínio cognitivo. Eles podem auxiliar na avaliação de problemas persistentes de memória e em outras questões relacionadas à linguagem ou raciocínio.

Não é indicado que o exame seja utilizado como um check-up para indivíduos assintomáticos, mesmo com histórico familiar de Alzheimer. A solicitação deve ser feita por um médico após uma adequada avaliação clínica.

Um resultado positivo do exame mostra uma maior probabilidade de ocorrência da patologia associada ao Alzheimer, mas deve ser interpretado em conjunto com sintomas e avaliações cognitivas. Um resultado negativo reduz essa probabilidade, mas não descarta a doença em todos os casos. Resultados que não são conclusivos ou que não se alinham ao quadro clínico podem necessitar de exames adicionais.

O exame de sangue não substitui por completo outros métodos de diagnóstico. A investigação ainda pode incluir avaliações neurológicas e cognitivas, além de outros testes laboratoriais e ressonâncias magnéticas, sendo que a análise de biomarcadores no líquido cerebroespinhal ou o PET amiloide continua a ser necessária em alguns casos.

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