quarta-feira, outubro 7, 2026
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O que aguardar do debate econômico no segundo turno das eleições presidenciais?

O candidato que sair vitorioso no segundo turno das eleições presidenciais enfrentará um país repleto de desafios econômicos que exigem articulações com o Congresso e decisões com grande impacto social. Em busca de compreender quais questões devem ser priorizadas na economia do próximo governo e as diferenças entre as propostas dos candidatos, foram realizados diálogos com especialistas na área econômica.

Esses economistas analisam o cenário atual, levando em consideração as políticas em andamento, caso Luiz Inácio Lula da Silva consiga a reeleição, e comparam com a gestão anterior do pai de Flávio Bolsonaro. Eles também avaliam as indicações feitas pelas equipes econômicas de ambos os concorrentes durante a primeira fase da campanha.

A percepção até o momento é de que as propostas para o novo governo ainda são escassas, gerando incertezas sobre como seriam implementadas. Acredita-se que o ajuste fiscal é a questão mais crítica, sendo necessário desacelerar o crescimento da dívida pública, que alcançou 82,9% do PIB em agosto.

A dificuldade reside no fato de que 90% dos gastos públicos são obrigatórios, o que torna necessárias medidas que podem não ser populares. Estas medidas exigirão aprovação de Propostas de Emenda à Constituição e negociações com o Supremo Tribunal Federal para evitar judicializações futuras.

Economistas alertam que, sem intervenções, a dívida pública pode aumentar em aproximadamente cinco pontos percentuais do PIB a cada ano, podendo atingir 100% do PIB dentro de quatro anos. O desafio, segundo analistas, será encontrar um equilíbrio entre as necessidades dos mais vulneráveis e a capacidade econômica de oferecer resultados.

Neste contexto, as estratégias do atual governo incluem aproveitamento das brechas existentes no arcabouço fiscal e aumento da arrecadação para equilibrar as contas, sem restringir a expansão de despesas. Em um potencial governo de Flávio Bolsonaro, a tendência seria maior facilidade na aprovação de reformas no Congresso, especialmente após os resultados do primeiro turno, que refletiram um fortalecimento da bancada conservadora.

A candidatura do PL promete um “choque de credibilidade” voltado ao mercado, com apoio de economistas com viés liberal em sua equipe. Contudo, persiste a dúvida se Flávio Bolsonaro utilizaria seu capital político inicial para implementar reformas estruturais ou se priorizaria pautas jurídicas.

Nenhum dos candidatos apresentou propostas claras para cortes de gastos, uma vez que essas são temáticas sensíveis e impopulares. É esperado, portanto, que o vencedor deva apresentar propostas fiscais consistentes imediatamente após a eleição, a fim de evitar crises nas expectativas de mercado, como depreciação da moeda e alta de juros.

A análise sobre os gastos públicos destaca que consiste em um ponto crucial harmonizar o crescimento dessas despesas às regras fiscais e revisar a vinculação automática dos investimentos em saúde e educação ao aumento da receita. A adequação do salário mínimo às novas realidades orçamentárias também é uma demanda. Algumas recomendações incluem o redesenho de programas sociais para focar em qualificação e eficiência, além de uma reforma administrativa mais abrangente que reorganize as carreiras no serviço público e amplie a transparência sobre emendas parlamentares.

Embora o governo Lula resista a modificar regras sobre salários e vinculações orçamentárias, a candidatura de Flávio Bolsonaro se compromete a reduzir a máquina pública, com a proposta de extinguir ministérios, limitar concursos e encolher a administração pública. No entanto, os especialistas afirmam que estas medidas administrativas pouco impactam as grandes despesas obrigatórias do Estado.

Sobre a política monetária e a inflação, destaca-se que a taxa de juros, Selic, está intimamente ligada à política fiscal. Para que o Banco Central consiga efetuar cortes sustentáveis na taxa de juros e controlar a inflação a longo prazo, um ajuste fiscal efetivo se faz necessário. Ao mesmo tempo, pressões externas, como fenômenos climáticos e mudanças na legislação tributária, também podem afetar a inflação.

Caso seja mantido o modelo fiscal sob um novo governo Lula, a Selic deverá permanecer alta, enquanto a expectativa de um novo governo de Flávio Bolsonaro seria um possível recuo para patamares entre 11% e 11,5%, dependendo das reformas fiscais sinalizadas logo no início de sua gestão.

Em termos de comércio exterior, a condução diplomática do governo Lula tem sido pragmática e deve seguir essa linha, independentemente do novo presidente. Espera-se que a China continue a ser o principal parceiro comercial do Brasil, enquanto os Estados Unidos e a Europa permanecerão fontes essenciais de tecnologia e investimentos.

Para a reforma tributária, a necessidade de concluir seu processo e assegurar a estabilidade nas regras é unanimidade entre especialistas. A sugestão é que não se reabra a discussão para evitar insegurança jurídica no ambiente de negócios. A candidatura de Flávio Bolsonaro, por outro lado, aponta a intenção de interromper a implementação da reforma para promover modificações, o que pode acarretar retrocessos e mais incertezas para o setor produtivo.

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