Um dos maiores desafios para o Espírito Santo nos próximos quatro anos é assegurar que a infraestrutura evolua de forma equivalente às novas oportunidades econômicas que estão se apresentando. Essa preocupação foi expressa por Simone Garcia, superintendente da Fetransportes, em um contexto de crescimento portuário, atração de investimentos e fortalecimento da posição logística do estado.
Simone enfatiza que o aproveitamento pleno dessa dinâmica depende de uma rede de transportes eficiente, capaz de interligar as novas iniciativas econômicas aos centros produtores e mercados consumidores. Entre os principais obstáculos identificados estão as condições operacionais e a capacidade das BRs 101, 262 e 259. Ela também destaca a urgência de melhorias nos acessos aos portos e nas conexões entre os corredores rodoviários e as áreas urbanas.
Quando as conexões não operam de forma eficaz, há um impacto direto nos custos logísticos, na produtividade e na previsibilidade das operações, o que pode dificultar a atração de novos negócios, segundo a superintendente.
Outro ponto levantado é a necessidade de integrar rodovias, ferrovias e portos em um único sistema de transporte. Simone sugere que um planejamento adequado deve levar em conta a interdependência entre os diferentes modos de transporte, para que a expansão dos investimentos em produção não enfrente barreiras significativas.
A atualização das legislações ambientais em todos os níveis é outra proposta defendida por ela, com o objetivo de adequar as normas às atuais demandas logísticas.
Para facilitar a realização de projetos prioritários, a Fetransportes propõe uma articulação mais eficaz entre os governos estadual e federal, as concessionárias, os órgãos de infraestrutura e os representantes do setor produtivo. De acordo com Simone, esses projetos devem ter definidas as responsabilidades, cronogramas realizáveis e um acompanhamento constante para prevenir interrupções, garantindo a continuidade das obras independentemente das mudanças políticas.
A BR-262 é fundamental por estabelecer a conexão entre o Espírito Santo e Minas Gerais, enquanto a BR-259 desempenha um papel crucial no escoamento da produção do Noroeste capixaba e a integração com Minas Gerais. No que se refere ao transporte ferroviário, a EF-118 se apresenta como uma oportunidade para fortalecer a logística entre o Sudeste e os complexos portuários. Contudo, Simone ressalta a importância de avançar na estruturação e concessão desse projeto.
A superintendente também ressalta que as intervenções devem ser realizadas de forma coordenada, pois a melhoria de uma rodovia isolada não resolverá os problemas logísticos se os acessos aos portos e as conexões ferroviárias continuarem deficitários.
Além de transportar mercadorias, a infraestrutura influencia diretamente no turismo. A Fetransportes destaca que o Espírito Santo tem progredido na organização e promoção de seus destinos turísticos, especialmente em relação à aproximação comercial com a Argentina, que pode aumentar o fluxo de turistas internacionais. No entanto, o crescimento dessa atividade requer condições adequadas para o transporte de passageiros.
A Fetransportes defende que o futuro governo mantenha os projetos estratégicos e amplie a comunicação com o setor produtivo. Um referencial importante para esse planejamento é o ES 500, que estabelece diretrizes de desenvolvimento até 2035, com a participação da entidade.
No contexto nacional, a Fetransportes utiliza como referência o documento “O Transporte Move o Brasil”, que elabora propostas para modernizar a infraestrutura, aumentar a competitividade e melhorar o ambiente para investimentos.
Simone finaliza ressaltando que um planejamento eficaz em infraestrutura demanda uma visão de longo prazo, aliada à capacidade de execução imediata.

