O preço médio do diesel S-10 nos postos do Brasil apresentou um aumento de 6,5% até setembro, atingindo o maior nível desde abril, conforme informações divulgadas na sexta-feira (25) pela ANP. Este aumento foi influenciado pela elevação dos preços no mercado internacional, uma vez que o Brasil depende das importações desse combustível.
Atualmente, o diesel é comercializado a R$ 7,33 por litro na média nacional, em comparação a R$ 6,88 na semana que se encerrou no início de setembro, e superior ao R$ 7,13 registrado na semana anterior, refletindo uma alta semanal de 2,8%. Esse valor, o mais elevado desde R$ 7,38/litro entre 19 e 25 de abril, foi impulsionado pela nova alta dos preços do petróleo em setembro, quando o barril de Brent superou os US$ 100, motivado por tensões geopolíticas e ataques no Oriente Médio relacionados ao Irã.
Além disso, a escassez na oferta global, em um contexto onde as refinarias da Rússia são impactadas por ataques ucranianos, resultou em um aumento recorde no preço do diesel nos EUA. Os altos preços no mercado americano levaram o presidente Donald Trump a considerar uma proibição das exportações do combustível, embora essa medida não tenha se concretizado.
No Brasil, mesmo com o governo aumentando os subsídios ao diesel para mitigar os efeitos dos preços internacionais elevados, as cotações do combustível mais consumido no país continuam em ascensão. A Petrobras, por sua vez, optou por manter seus preços estáveis dentro do programa governamental.
Entretanto, uma discrepância sem precedentes entre os preços praticados pela Petrobras e as cotações internacionais gerou preocupações relativas ao adiamento de compras externas por importadores privados, já que cerca de 30% do consumo nacional provém de importações. Executivos da Petrobras informaram que já efetuaram as importações necessárias para outubro e que a produção da empresa permanece em níveis elevados para atender à demanda, que é uma das mais altas do ano devido ao plantio da safra de soja.
Durante esse período crítico de demanda, a Farsul, federação de agricultores do Rio Grande do Sul, expressou preocupação acerca da oferta de diesel no estado, mencionando uma “crise” de abastecimento e apresentando queixas à ANP. Recentemente, a Farsul reiterou que vem alertando sobre o problema desde 11 de setembro, ao apontar restrições e atrasos na entrega do diesel aos produtores, lembrando um cenário semelhante ao vivido no início de 2026. Naquele momento, as oscilações nos preços foram influenciadas pelo início do conflito entre os EUA e Israel contra o Irã.
Embora a ANP tenha declarado que não constatou problemas na oferta de diesel no Rio Grande do Sul neste mês, a agência não se manifestou imediatamente após ser contatada para fornecer comentários.
Entre os outros combustíveis monitorados pela ANP, a gasolina comum teve um leve aumento de 0,15%, alcançando R$ 6,55 por litro. O etanol hidratado nos postos subiu 0,49% na mesma semana, elevando o preço para R$ 4,10 o litro, ante R$ 4,08 anteriormente.



