A residência de Diego Maradona, ícone do futebol mundial, foi transformada em um refeitório, enquanto a memória do jogador é preservada. A Justiça da Argentina anunciou que o veredito a respeito da morte do atleta será dado no dia 22 de dezembro, ao meio-dia, em Brasília.
Maradona faleceu em sua casa no dia 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória e edema pulmonar. Ele estava sob cuidados médicos após ter passado por uma cirurgia craniana devido a um hematoma.
A família do ex-jogador acusa a equipe médica, composta por sete profissionais, de homicídio com dolo eventual, argumentando que estavam cientes de que suas ações ou inações poderiam resultar na morte do paciente. O julgamento, iniciado em abril, contou com 51 audiências e mais de 70 testemunhas.
Dalma Maradona, a filha mais velha, pediu justiça ao tribunal, enquanto o médico pessoal de Maradona, Leopoldo Luque, principal acusado, reafirmou sua inocência. O Ministério Público solicita penas que variam de 4 a 12 anos de prisão para seis dos sete réus, incluindo Luque, com a absolvição do clínico Pedro Di Spagna sendo pedida devido à falta de acusação fundamentada.
Nos dias recentes, as alegações apresentadas pelos advogados dos réus destacaram que a morte de Maradona foi resultado de causas alheias à responsabilidade dos acusados. Luque e as médicas Nancy Forlini e Agustina Cosachov enfrentam as principais acusações. O advogado de Luque argumentou que ele foi tratado como um “bode expiatório” e que não tinha controle sobre a situação em que Maradona se recuperava, enfatizando que a morte ocorreu devido a um evento cardíaco súbito.
Cosachov, que cuidou da parte psiquiátrica de Maradona, alega que não recebeu informações adequadas de sua equipe sobre as condições do jogador. Foi apontado que ela fazia o que podia para lidar com a situação, mantendo os cuidados ao longo do tratamento. Por sua vez, Forlini é criticada por não fornecer equipamentos médicos essenciais, mas sua defesa defende que ela não deveria ser responsabilizada pelo que não foi solicitado.
Ainda nesta quinta-feira, a defesa de Mariano Perroni e Ricardo Almirón, enfermeiros envolvidos no caso, pleiteou a absolvição. O Ministério Público os acusa de falhas na supervisão e no registro dos cuidados a Maradona, mas seus advogados sustentam que não houve negligência que tivesse contribuído para a morte do astro do futebol.

