sábado, outubro 24, 2026
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A Dificuldade de Quem Segue um Caminho Reto

O mundo, excelentíssimos senhores e senhoras, está em constante movimento, reminiscentes de um frango giratório em um fogão improvisado na beira da estrada. Assim, Belchior, figura emblemática da música, provavelmente lamentaria as feridas que persistem na busca pela liberdade. Lalá, minha vizinha e ilustrada pensadora de boteco, afirma com fervor que a trajetória da humanidade não cabe em um único livro de sociologia. Para ela, a história se assemelha a uma comédia cômica que sabemos antecipadamente quando o protagonista cairá na armadilha – uma casca de banana frequentemente camuflada sob as cores verde e amarelo, ou com um notório bigode desenhado.

Nos anos 1920, um líder carismático na Itália decidiu que seu país necessitava de ordenação, progresso e da icônica camisa preta. Benito Mussolini, nada a ver com o cantor que nos deixou há pouco, persuadiu muitos a acreditar que o glorioso passado romano seria a chave para o futuro da nação. A ostentação da vestimenta e o discurso afinado conquistaram a população, mas, no fim das contas, o único aspecto que realmente funcionou na Itália fascista foi a pontualidade dos trens, um benefício escasso para aqueles que perderam suas vozes.

Sem muito tempo depois, na Alemanha de 1933, um pintor de paredes insatisfeito trocou seus pincéis pela política. Com seu discurso vehemente, ele dirigia seus ataques sempre a um grupo escolhido como bode expiatório, prometendo purificar a nação das corrupções daquele momento. O povo alemão, fatigado pela inflação que desvalorizava sua moeda, aplaudiu. Mesmo cientes de suas peculiaridades, muitos enxergaram nele a pessoa que poderia restaurar a ordem. O resultado, porém, foram anos de conflitos e necessidade de reabilitação para o mundo todo.

Em um cenário bem diferente, no Brasil, o clima quente frequentemente desfoca a memória e a resistência é tão breve quanto um gelo em um dia de verão. Aqui, o discurso político ganhou uma identidade própria, recheada de referências culturais, como o pastel da feira e atos simbólicos que remetem a armas. O bolsonarismo chegou ao poder prometendo proteger os valores familiares de ameaças praticamente invisíveis. Com um eleitorado que aprecia heróis de histórias em quadrinhos com um toque de militarismo, muitos acharam engraçado ver a formalidade do cargo se transformar em piadas casuais.

Como uma reflexão de uma observadora crítica, o padrão da extrema-direita é claro como o final previsível de uma novela. Primeiro, cria-se um inimigo ameaçador; em seguida, surge a figura salvadora, levando a realização de um espetáculo que se infiltra até em competições inusitadas. A diferença é que, enquanto na Europa predominava a elegância das roupas finas, no Brasil essa narrativa é desdobrada por meio de trocas de mensagens e teorias descabidas.

Agora, o calendário nos pressiona para um importante domingo, 25, um dia em que as urnas decidirão o resultado de um novo pleito. O desafio vai além da eleição de um candidato A ou B: é a chance de ratificar o absurdo como o novo estado das coisas em nossas vidas. Passar mais quatro anos debatendo teorias infundadas e questões irreais sob apenas um olhar crítico é um teste de paciência que poderia sobrecarregar qualquer um.

Portanto, a votação passou a ser uma defesa legítima contra o ridículo e o autoritarismo. O apelo é para que os eleitores façam suas escolhas com racionalidade, longe das armadilhas das desinformações nas redes sociais. O Brasil já enfrenta desafios reais demais para perder tempo com figuras que mal conseguem sustentar suas credibilidades. Se a história há de se repetir como uma farsa, que ao menos essa farsa resulte em conscientização nas urnas e não em produções teatrais de fundo de quintal ou na supressão de liberdades essenciais.

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