A Prefeitura de Vila Velha, sob a gestão de Arnaldinho Borgo, anunciou a suspensão das formações continuadas para professores regentes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental da rede municipal. Essa decisão gerou críticas do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), que reclamou da falta de comunicação prévia e da ausência de justificativas por parte da Secretaria Municipal de Educação (Semed).
O dirigente do Sindiupes, Ildebrando Paranhos, expressou que a suspensão é extremamente prejudicial para a categoria e destacou a importância da formação não apenas para os docentes, mas também para funcionários das escolas e profissionais que assistem alunos com deficiência. Ele enfatizou a necessidade de investimentos em educação, lamentando a interrupção das formações em um momento crítico.
A suspensão foi formalizada através de um comunicado interno nº 17448/2026, datado de 21 de outubro e assinado pela gerente da Semed, Yolanda Pinto dos Santos. O documento foi encaminhado a diretores das unidades de ensino e esclareceu que nem todas as atividades de formação estão afetadas. A Secretaria garantiu que as formações para pedagogos, coordenadores, professores da Educação Especial e assistentes de apoio continuarão conforme o cronograma.
Além disso, o comunicado especificou que não haverá autorização para o pagamento de horas extras necessárias para a substituição de profissionais envolvidos nas formações suspensas. Contudo, ele não apresentou uma justificativa detalhada para essa interrupção nem esclareceu se haverá reposição dos encontros perdidos.
Ildebrando Paranhos afirmou que o sindicato ficou ciente da nova política assim que foi divulgada. Ele mencionou que já houve tentativas de contato com a subsecretária pedagógica da Semed, mas sem resposta até o momento.
A suspensão pode impactar diversos profissionais do ensino municipal, uma vez que as formações são organizadas em etapas conforme o segmento de atuação dos educadores. Paranhos estima que mais de quatro mil professores podem ser afetados, embora o número exato de profissionais impactados pela medida ainda precise ser confirmado pela Secretaria de Educação.
Para o Sindiupes, a formação continuada é parte integrante das reivindicações da categoria e está prevista no calendário escolar. O dirigente ressaltou que a interrupção prejudica a valorização da profissão e limita as oportunidades de atualização e troca de experiências entre os professores.
Até o presente momento, não há confirmação se a suspensão foi provocada por cortes no orçamento. Embora essa possibilidade tenha sido mencionada, ela requer esclarecimento por parte da administração. A legislação municipal estabelece políticas de formação continuada, incluindo um programa plurianual para profissionais da educação, que prevê dotação orçamentária. Contudo, essa previsão não implica automaticamente que a suspensão seja irregular; uma análise das normas vigentes é necessária para tal conclusão.
O Sindiupes busca inicialmente obter informações sobre os motivos da suspensão para, em seguida, avaliar as ações que serão necessárias para retomar as atividades formativas. O dirigente reiterou que a prioridade é pedir esclarecimentos sobre a paralisação antes de considerar outras medidas. Até agora, não há data definida para a retomada das formações suspensas, nem informações sobre a possibilidade de reposição das atividades. O sindicato continua aguardando uma resposta da Secretaria Municipal de Educação para planejar os próximos passos.

