O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, fez declarações no sábado (22) que foram publicadas no domingo (23), expressando preocupações sobre a realização de eleições em meio à invasão russa. Ele destacou que as votações poderiam ser arriscadas e, segundo ele, “dividir a Ucrânia”. Zelenski falou à imprensa durante uma coletiva, incluindo representantes da AFP.
“Num contexto de guerra como o atual, a realização de eleições representa um grande risco. Votar agora teria um impacto devastador, fragmentando o país”, afirmou Zelenski.
Atualmente, as eleições estão suspensas na Ucrânia em razão da lei marcial imposta durante o conflito com a Rússia, e essa decisão conta com o respaldo da maior parte da população. De acordo com uma pesquisa do Instituto de Sociologia de Kiev, apenas 15% dos cidadãos ucranianos apoiam a ideia de uma votação antes do fim das hostilidades.
O tema ganhou relevância após o ex-ministro da Defesa, Mikhailo Fedorov, que foi demitido por Zelenski em julho, ter sugerido que o país deveria buscar soluções para realizar eleições. Entretanto, sua declaração não veio acompanhada de um plano concreto, gerando críticas até mesmo entre seus apoiadores.
Zelenski respondeu sobre Fedorov, afirmando: “Se a intenção é levar o país à ruína, então podemos prosseguir com as eleições durante esses tempos de guerra”.
Especialistas apontam diversos obstáculos para a realização do pleito, incluindo a presença de tropas, a situação de milhões de refugiados e residentes de áreas sob ocupação russa, além do potencial aumento da desinformação no país.
Sobre o ex-ministro, Zelenski comentou: “Acredito que ele está se dirigindo —ou sendo influenciado— por ideias erradas”.



