O presidente reeleito Lula (PT), durante as eleições realizadas no domingo (25), conseguiu aumentar sua participação nos votos válidos em todas as unidades da federação. Em contrapartida, seu oponente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viu uma queda ou estagnação dos votos válidos em alguns estados do Nordeste, embora tenha avançado em outras regiões do país.
É comum que candidatos aumentem a porcentagem de votos do primeiro para o segundo turno, uma vez que o número de concorrentes é reduzido para apenas dois. Na contagem final dos votos válidos, os dados deste ano mostram que Lula se beneficiou, em grande parte, pela histórica redução de votos nulos e brancos, assim como pela diminuição das abstenções entre os dois turnos.
O maior crescimento do candidato petista foi registrado em Goiás, que no primeiro turno teve 15,3% dos votos destinados a outros candidatos além de Lula e Flávio. Embora Lula tenha sido derrotado em Goiás, seu crescimento foi expressivo, subindo 9,28 pontos percentuais de 31,06% para 40,34% entre os turnos.
São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil, também contribuiu de maneira significativa para a vitória de Lula. No primeiro turno, ele obteve 38,2% dos votos, percentual que subiu para 46,15% no segundo turno, representando um aumento de 7,95 pontos percentuais. A lista de estados com crescimento significativo para o presidente inclui o Distrito Federal (7,61 p.p.), Rio de Janeiro (7,49 p.p.), Amapá (7,17 p.p.) e Minas Gerais (7,1 p.p.), onde Lula conseguiu uma virada histórica. Por outro lado, em Rondônia, seu crescimento foi o menor, somando 4,5 pontos percentuais.
Analisando o desempenho de Flávio Bolsonaro de um turno para o outro, a maior elevação aconteceu em Goiás, onde sua porcentagem aumentou 6,06 pontos percentuais. No primeiro turno, ele recebeu 53,6% dos votos no estado, elevando essa porcentagem para 59,66% no segundo turno.
O Distrito Federal apresentou um segundo maior aumento para Flávio, com uma variação positiva de 2,97 pontos percentuais, seguido por Santa Catarina (2,77 p.p.) e Paraná (2,67 p.p.), estados que também foram favoráveis a ele. Nas eleições para o segundo turno, a proporção de votos válidos recebidos por Flávio caiu em sete estados, todos localizados na região Nordeste.
A análise revelou que a maior queda foi observada em Alagoas, com uma redução de 1,22 pontos percentuais. Na sequência, estão as diminuições na Paraíba (0,53 p.p.), Rio Grande do Norte (0,49 p.p.), Maranhão (0,44 p.p.), Pernambuco (0,23 p.p.), Ceará (0,2 p.p.) e Sergipe (0,16 p.p.). No Piauí e no Rio de Janeiro, Flávio manteve-se estagnado, com uma diferença que não ultrapassou 0,1 ponto percentual.
Na eleição, Flávio Bolsonaro foi vitorioso em mais estados do que Lula, conquistando 13 unidades federativas e o Distrito Federal, enquanto Lula ganhou em 13 estados e também no exterior. A vitória de Lula no segundo turno foi por uma margem de 4,4 milhões de votos, o que reduziu a distância para Flávio em todas as regiões onde ele triunfou no primeiro turno.
O resultado em Minas Gerais, que possui 16,3 milhões de eleitores e é considerado um estado-chave, foi determinante, com Lula obtendo 50,43% dos votos válidos contra 49,57% de Flávio. No Nordeste, Lula aumentou em 3 milhões seu número de votos, passando de 21,4 milhões para 24,4 milhões, o que representa um crescimento de 14%. Além disso, ele conquistou a vitória na região Norte, com uma margem de apenas mil votos.
Por outro lado, Flávio se destacou no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, conseguindo diferenças de 4,5 milhões, 2,8 milhões e 1,8 milhão, respectivamente, em relação ao candidato do PT.

