O deputado democrata Robert Garcia, reeleito na Califórnia, solicitou a deportação do senador brasileiro Flávio Bolsonaro, do PL, dos Estados Unidos. Além disso, ele exigiu esclarecimentos do governo Donald Trump sobre uma possível colaboração de autoridades americanas na saída do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro do Brasil.
Garcia fez o pedido em uma carta enviada na segunda-feira (2) ao secretário de Estado, Marco Rubio, onde questiona os motivos que permitiram a Flávio a entrada e a permanência nos EUA. O deputado enfatizou: “Se o presidente alega que não deseja a entrada de criminosos nos EUA, por que permitir a entrada do sr. Bolsonaro?”, ressaltando a necessidade de resposta imediata à Justiça brasileira.
Em outra parte do documento, Garcia criticou a abordagem migratória do governo Trump, afirmando que, enquanto autoridades como o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas são usadas para perseguir imigrantes, Flávio, alvo de investigações no Brasil, foi recebido nos EUA.
Além de solicitar a deportação, Robert Garcia pediu informações sobre a atuação da diplomacia americana durante a viagem de Flávio aos Estados Unidos. Ele requisitou documentos que incluíssem comunicações entre a Casa Branca, o Departamento de Estado, o Departamento de Segurança Interna e autoridades argentinas sobre o deslocamento do senador. Os questionamentos também incluem a base legal para a concessão de vistos a Flávio e sua família e possíveis vínculos da Rockbridge Network, um grupo conservador associado ao vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, com a campanha do parlamentar brasileiro.
Essa iniciativa de Garcia se une a uma demanda anterior de membros do Partido Democrata. A deputada Sydney Kamlager-Dove liderou um grupo de 25 colegas que enviou uma carta ao Departamento de Estado dos Estados Unidos solicitando explicações sobre o suporte do governo Trump à saída de Flávio do Brasil e sua residência no país, chamando-o de “negacionista eleitoral”.
Por sua vez, a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil ocorreu no dia 27 de outubro, acompanhado pela família, ao atravessarem a fronteira com a Argentina e, em seguida, embarcarem em um voo particular para os Estados Unidos. A viagem ocorreu apenas dois dias depois de Flávio ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026.
Informações indicam que essa saída se deu após uma determinação do Supremo Tribunal Federal que ordenou a apreensão dos passaportes do senador e a proibição de deixar o país, decisão tomada devido a indícios de que ele poderia fugir durante investigações sobre corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

