Os Estados Unidos anunciaram, nesta segunda-feira (24), a remoção da Síria da lista de países que apoiam o terrorismo, um passo considerado crucial para a atração de investimentos no país pelo governo de Damasco. A decisão, divulgada no portal do Departamento do Tesouro dos EUA, tornou-se efetiva após um período de revisão de 45 dias pelo Congresso, que teve início quando o presidente Donald Trump notificou os legisladores sobre sua intenção de revogar a classificação em 8 de julho.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou em comunicado que “todas essas medidas foram tomadas em reconhecimento às ações positivas adotadas e aos compromissos adicionais assumidos pelo governo sírio sob a Presidência de Ahmed al-Sharaa, visando afastar a Síria de atos de terrorismo internacional”.
Asaad al-Shibani, ministro das Relações Exteriores da Síria, declarou à agência Reuters que a eliminação do que caracterizou como “último obstáculo” favoreceria a reintegração do país no sistema financeiro global e ajudaria a revitalizar a economia síria. Ele afirmou: “Não há mais nenhum obstáculo para investir, fazer negócios e reconstruir a vida econômica na Síria”.
A Síria estava na lista desde 1979, quando o governo americano acusou Hafez al-Assad, então líder do país, de apoiar grupos terroristas. A classificação persistiu durante todo o governo de seu filho, Bashar al-Assad, que foi deposto em dezembro de 2024 por rebeldes liderados por Sharaa.
Com a recente decisão, apenas Cuba, Irã e Coreia do Norte permanecem como os países que os Estados Unidos identificam como patrocinadores do terrorismo. Essa designação impunha restrições à assistência externa dos EUA, limitando exportações, vendas de armamentos e transações financeiras, e continuava a ser um fator dissuasório para bancos e investidores, mesmo após o desmantelamento do programa mais amplo de sanções contra Damasco.
O governo de Trump havia suspenso as sanções abrangentes contra a Síria em julho de 2025, mas manteve restrições específicas a Assad e seus aliados, além de violadores de direitos humanos, traficantes de drogas e membros do Estado Islâmico e da Al Qaeda, assim como grupos apoiados pelo Irã.
Desde então, o Departamento do Tesouro havia permitido que instituições financeiras americanas prestassem serviços na Síria, processassem pagamentos envolvendo bancos sírios e estabelecessem relações de correspondência bancária, desde que não houvesse envolvimento das partes ainda sancionadas. No entanto, a designação relacionada ao terrorismo continuava a representar riscos jurídicos e de conformidade para empresas que consideravam entrar no mercado sírio, que busca bilhões para sua reconstrução após anos de conflito.
Sinais de interesse por investimentos já eram visíveis antes da retirada da lista. O Ministério das Finanças da Síria informou que o ministro Mohammad Yisr Barnieh realizou reuniões com executivos do Bank of America para discutir colaboração e a reintegração da Síria no sistema financeiro internacional. Os representantes do banco expressaram interesse em visitar a Síria para continuar os diálogos.
A Mastercard anunciou em maio que estava colaborando com o QNB Group e o banco central da Síria para desenvolver a infraestrutura necessária para pagamentos com cartões internacionais no país. A empresa afirmou que é uma das pioneiras a investir na Síria e pretende auxiliar na conexão entre consumidores e empresas sírias com redes globais de pagamentos.
Trump notificou o Congresso sobre sua decisão após um encontro com Sharaa em Ancara, em julho, onde prometeu “remover todas as barreiras” que impediam a reconstrução da Síria. A retirada da lista também foi resultado de meses de negociações entre Damasco e Washington sobre as políticas econômica e externa do país.
Durante as discussões que precederam a decisão, Damasco concordou em reduzir drasticamente suas importações de petróleo da Rússia. O relacionamento entre Trump e Sharaa, ex-líder da Frente al-Nusra, que cortou laços com a Al Qaeda em 2016 e liderou a coalizão rebelde que derrubou Assad, se estreitou. Os EUA elogiaram a cooperação de Sharaa no combate ao Estado Islâmico e afirmaram que o fim das restrições visa permitir que a Síria alcance estabilidade e reconstrução.



