Um autônomo, identificado como Adileno Mathias, alega que foi condenado por um assalto que teria acontecido em uma sorveteria localizada em Cobilândia, Vila Velha, embora insista que não cometeu o crime e nunca foi preso em relação a esse caso.
A defesa de Adileno levanta a suspeita de uma possível troca de identidade, apontando que o irmão dele, Adriano, teria sido preso em flagrante e que, ao informar seu nome às autoridades, isso pode ter gerado confusão. Adileno descobriu a pendência em seu nome ao tentar renovar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH), momento em que foi questionado sobre supostas prisões anteriores.
“Quando fui renovar a habilitação, já havia um problema registrado no meu nome. Perguntaram se eu tinha sido preso, e eu disse que não”, relatou Adileno.
De acordo com a defesa, o crime em questão ocorreu no dia 30 de julho de 2021, em uma sorveteria local. Imagens captadas na ocasião mostram um homem em frente ao estabelecimento, que aguardava a diminuição do movimento para entrar. Posteriormente, ao sair, ele se envolve em uma discussão com uma mulher, gerando a intervenção de moradores que acreditaram estar ocorrendo um assalto. A defesa argumenta que o homem nas gravações não é Adileno.
Adileno afirma que recebeu uma convocação para comparecer a uma audiência, sem saber a que acusação estava relacionada. “Fui julgado e condenado. Durante a audiência, a vítima fez um reconhecimento, mas não me reconheceu”, alegou.
Além disso, um guarda municipal que estava presente no dia do crime descreveu o detido como alguém com aparência de uma pessoa em situação de rua, o que, segundo Adileno, não condiz com suas características.
A advogada Sheilla Monique de Abreu, responsável pela defesa, comentou que a suspeita de troca de identidade aumentou após consulta ao sistema Infopen, que fornece informações sobre presos. Ela encontrou um registro em que um dos nomes mencionados era o de Adriano.
Ao investigar mais sobre o irmão, a defesa identificou que Adriano foi preso na mesma data em que Adileno supostamente deveria haver sido detido pelo assalto. “No Infopen, estavam três nomes, e meu cliente confirmou que um deles era do irmão. Verifiquei e encontrei a data da prisão que coincidia com a acusação contra Adileno”, explicou a advogada.
A advogada também observou que um alvará relacionado ao caso de Adileno foi cumprido em nome de Adriano. Após essas descobertas, a defesa pediu esclarecimentos à Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), que respondeu que não havia registros em nome de Adileno e sugeriu uma identificação criminal na unidade prisional em que Adriano se encontra.
A defesa considera essas informações cruciais, pois o processo afirma que a pessoa acusada foi presa em flagrante. “Adileno nunca foi preso, e esse é o ponto central da questão”, enfatizou Sheilla.
Para evitar um possível encarceramento de Adileno devido à condenação, a defesa planeja entrar com um habeas corpus preventivo. O autônomo expressou sua preocupação com a situação, afirmando que sua rotina foi impactada e que teme ser abordado por agentes de segurança.
“Não consigo nem sair de casa direito. Quando vejo uma viatura, já fico nervoso com a possibilidade de ser abordado. Isso tem me deixado tão assustado que nem consigo dormir à noite”, revelou Adileno.
O autônomo foi orientado pela Justiça a procurar a Defensoria Pública ou contratar um advogado para relatar a situação por meio de boletim de ocorrência ou diretamente na Vara de Execuções. A advogada confirmou que está acompanhando o caso e se prepara para apresentar o pedido de habeas corpus.



