O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou nesta segunda-feira, 26, que aprecia o presidente reeleito do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva (PT), e que eles têm uma boa relação. No entanto, ele considerou a prorrogação concedida nas eleições a última “muito estranha”.
Ao ser questionado por um jornalista sobre a possibilidade de intervir nos assuntos brasileiros, Trump deu uma resposta clara: “Eu não estou concorrendo no Brasil. Eu estou concorrendo nos EUA”.
Em suas declarações, ele expressou que a situação da eleição brasileira foi “muito ruim”, afirmando que, apesar de não ter tomado partido, parecia haver indícios de fraude. Trump disse que seguir as eleições de maneira transparente é essencial e que a imagem do processo eleitoral brasileiro para o resto do mundo foi negativa.
No dia anterior, Trump havia optado por não apoiar nenhum dos candidatos, destacando que estava apenas monitorando a disputa. Sua postura cautelosa contrasta com suas intervenções em processos eleitorais anteriores na América Latina e surge após um período de atritos com o governo Lula, marcado por questões comerciais, sanções e alegações de interferência americana em assuntos internos brasileiros.
Apesar de sua relação com a família Bolsonaro, Trump se absteve de endossar formalmente Flávio Bolsonaro durante a campanha. Essa decisão, segundo informado, foi estratégica, pois havia preocupações de que uma declaração de apoio do presidente americano pudesse favorecer Lula.
Um assessor do governo dos EUA, que preferiu permanecer anônimo, declarou que a orientação era evitar qualquer declaração que poderia ser vista como interferência nas eleições do Brasil. O assessor também mencionou que sempre que Lula utilizava Trump como exemplo de que os Estados Unidos buscavam tirar vantagem do Brasil, isso gerava uma resposta positiva entre os eleitores. O afastamento de Washington da corrida eleitoral, segundo ele, focava novamente as discussões em questões internas.
Aliados de Flávio Bolsonaro também reconheceram essa estratégia. Um comentarista político informou que as tarifas impostas por Trump em julho prejudicaram as pesquisas do senador em um momento crítico da campanha eleitoral.

