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domingo, setembro 20, 2026
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Islândia rejeita reiniciar negociações com a União Europeia, informa a TV.

A Islândia decidiu neste sábado (29) não retomar as negociações para se juntar à União Europeia. De acordo com projeções, a possibilidade de adesão já estava praticamente descartada na manhã do dia seguinte, ainda que a contagem de votos em regiões remotas ainda não estivesse completa. Um resultado oficial deve ser anunciado em breve.

Analistas apontam que a preocupação com o setor pesqueiro, que representa 40% das exportações do país, foi um fator decisivo. Regras mais rígidas impostas por Bruxelas poderiam afetar significativamente essa importante atividade econômica. Apesar disso, a Islândia poderia ser uma candidata vantajosa para o bloco europeu, já que não acolhe um novo membro com contribuição líquida positiva desde a década de 1990.

Embora a maioria da campanha tenha focado em questões internas, a consulta popular foi impulsionada principalmente pelas ameaças do presidente americano Donald Trump à Groenlândia, que está localizada a cerca de 300 km da Islândia. O presidente cometeu erros em suas declarações, confundindo os dois países em várias ocasiões.

A primeira-ministra, Kristrún Frostadóttir, destacou que o referendo foi convocado em resposta a um ambiente político propício, enfatizando a importância do dia da votação. Após votar na capital Reykjavik, ela afirmou que, independentemente do resultado, o governo continuaria a zelar pela soberania da Islândia.

O processo de adesão foi suspenso em 2013 e havia se tornado um tema político adormecido até o retorno de Trump à presidência no ano passado. A primeira tentativa de negociações com a UE ocorreu em 2009, em razão dos impactos da crise financeira global causada pela bolha imobiliária nos EUA.

Além das ações expansionistas dos Estados Unidos, a atuação da Rússia e da China no Ártico, cada vez mais acessível devido ao aquecimento global, também contribuiu para o ressurgimento do debate sobre a adesão. A Islândia, que não possui Exército e depende de acordos de defesa, oferece seu território estratégico como contrapartida pela proteção que recebe.

Os defensores do “não” lembraram os eleitores sobre as regulações rigorosas do setor pesqueiro que viriam com a adesão à UE, algo que tem sido um obstáculo histórico nas relações entre Reykjavik e Bruxelas. A pesca não é apenas uma atividade econômica crucial, mas também uma parte fundamental da identidade cultural islandesa, especialmente considerando que o país é um dos poucos que ainda permitem a caça de baleias.

Do outro lado, aqueles que defendiam a adesão, em especial os eleitores mais jovens, argumentaram sobre as vantagens econômicas, uma vez que o euro apresenta uma grande estabilidade em comparação à coroa islandesa, além de ter uma inflação mais baixa, o que tornaria os custos de crédito e habitação mais acessíveis.

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