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terça-feira, setembro 29, 2026
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Reduzir os níveis de Lp(a) pode diminuir o risco de infarto e AVC? Confira o que a ciência revela

Nos últimos anos, a lipoproteína(a) – conhecida como Lp(a) – deixou de ser um termo reservado a especialistas e passou a ser uma preocupação crescente em clínicas médicas e mídias. Essa substância tornou-se um foco importante nas conversas sobre prevenção de doenças cardiovasculares.

Ao contrário de outros fatores de risco, os níveis de Lp(a) são majoritariamente influenciados pela genética e apresentam pouca variação em decorrência da dieta, da atividade física ou da perda de peso. Estima-se que aproximadamente 20% da população tenha níveis elevados de Lp(a), o que está associado a um risco aumentado de infarto, AVC e outras manifestações de doenças cardiovasculares ateroscleróticas.

O estudo HORIZON, um teste clínico de fase 3, gerou grandes expectativas ao avaliar o pelacarsen, um medicamento voltado para a redução da produção de Lp(a). Mais de 8 mil participantes com doenças cardiovasculares já diagnosticadas e níveis elevados de Lp(a) participaram do ensaio, recebendo pelacarsen ou um placebo, além do tratamento cardiovascular convencional.

A questão central do estudo era se a diminuição dos níveis de Lp(a) proporcionaria a redução de eventos cardiovasculares. Recentemente, os resultados iniciais foram divulgados e surpreenderam os especialistas. Embora o pelacarsen tenha efetivamente reduzido os níveis de Lp(a), o estudo não conseguiu atingir seu objetivo principal. Na população estudada, essa diminuição não se refletiu de forma estatisticamente significativa em uma queda nos eventos cardiovasculares, como morte, infarto, AVC e a necessidade de procedimentos de revascularização coronária.

O resultado não deve ser mal interpretado. A Lp(a) ainda é considerada um fator de risco cardiovascular relevante e seu acompanhamento continua essencial. As evidências genéticas e epidemiológicas confirmam que níveis elevados de Lp(a) são um risco independente e causal para problemas cardiovasculares. O que ficou claro até agora com o HORIZON é que, na população analisada, a redução da Lp(a) por meio do pelacarsen, ao longo do período do estudo, não resultou no esperado benefício cardiovascular.

É relevante mencionar que apenas os resultados iniciais foram divulgados até o momento, e diversos dados cruciais ainda não foram apresentados, como a magnitude exata da redução de Lp(a) e as taxas absolutas de eventos em diferentes grupos de pacientes. Assim, ainda é prematuro determinar as razões para o insucesso do estudo em alcançar seu objetivo.

A busca por novas alternativas para a Lp(a) continua com outros tratamentos sendo investigados. Há novas moléculas que estão sendo testadas em ensaios clínicos com foco na redução significativa da lipoproteína, e esses resultados são crucialmente importantes para entender se os achados do HORIZON estão ligados ao medicamento testado, à duração e intensidade da redução, à população analisada ou a aspectos ainda não compreendidos sobre a Lp(a).

Até que respostas mais definitivas sejam encontradas, aqueles com níveis elevados de Lp(a) devem considerar essa condição como um indicativo relevante de risco cardiovascular. Como ainda não existe uma terapia específica com evidências confirmadas de benefícios cardiovasculares para essa condição, é imperativo que os pacientes concentrem esforços em controlar fatores modificáveis, como LDL-colesterol, pressão arterial, diabetes, tabagismo, sobrepeso e inatividade física.

A principal lição que pode ser extraída do HORIZON é que, na medicina, simplesmente melhorar os números dos exames não é suficiente. É necessário que essa melhoria traga benefícios reais e mensuráveis, reduzindo o risco de infarto, AVC e morte. Estudos que apresentam resultados insatisfatórios também são valiosos para o avanço da ciência, pois muitas vezes nos desafiam a formular perguntas mais pertinentes para pesquisas futuras.

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