A comunidade do surfe está debatendo a possibilidade de uma nova geração de talentos que possa continuar o legado da chamada Brazilian Storm, cujos principais atletas estão nas faixas dos 30 anos. Um dos destaques dessa nova safra é Ryan Kainalo, um surfista de 20 anos que cresceu em São Paulo antes de se mudar para Ubatuba. No dia 3 de outubro, ele assumiu a liderança da Challenger Series e garantiu uma vaga na elite do circuito mundial de surfe, a WSL.
Ryan comentou que sua entrada na elite poderá servir de inspiração para outros jovens competidores da sua faixa etária e para aqueles que competiram com ele nas categorias de base. Ele mencionou como a ascensão de outros surfistas, como Chumbinho, Matheus Herdy e Samuel Pupo, motivou a sua jornada. Pupo, com 25 anos e integrante da elite desde 2022, teve seu melhor resultado no décimo lugar naquele ano. Herdy também estreou no CT este ano.
Chumbinho, aos 26 anos, é um argumento sólido contra a percepção de um “gap” entre gerações, tendo liderado a temporada de 2023 e conquistado a quarta posição, embora não tenha conseguido manter ou repetir esse desempenho. Os campeões brasileiros Gabriel Medina, Filipe Toledo, Ítalo Ferreira e Yago Dora, todos ainda ativos, estão também na casa dos 30 anos. Ryan Kainalo aguarda ansiosamente sua participação nas etapas da WSL em 2027.
Ele expressa que a pressão de ingressar na elite é grande, mas está confiante em suas habilidades. Ryan acredita que conseguirá evoluir e aproveitar todas as oportunidades que surgirem.
A trajetória de Ryan é marcada por particularidades. Nascido em São Paulo, ele residiu na capital até os 12 anos e desde cedo foi incentivado a surfar por seu pai, Alex Miranda, que é diretor de clipes e cineasta. Ele passava pelo menos duas vezes por semana em Ubatuba, onde seus avós moram, e era tratado como local pelos surfistas. Mesmo vivendo em São Paulo, competia representando Ubatuba e encontrou acolhimento na praia de Itamambuca, que se tornou seu lar.
Com o crescente envolvimento no surfe e o destaque nos campeonatos, a mudança definitiva para o litoral se tornou inevitável. Para isso, pediu a seus pais para viver com seus avós, que, apesar de não terem ligação direta com o surfe, sempre apoiaram sua carreira.
Ryan relembra com um tom descontraído como a transição para viver com os avós foi natural. Agora morando em Ubatuba, ele tinha acesso direto à praia após a escola e passou a treinar diariamente. Desde jovem, começou a ser observado por seu potencial, e em 2023, aos 17 anos, conquistou o título do Mundial Júnior da ISA.
Mantendo laços com sua cidade natal, ele também tem uma parceria com o departamento de esportes radicais do Corinthians, clube do qual é torcedor, que o auxilia há quatro anos, incluindo momentos de fisioterapia na academia do time.
Outro suporte significativo em sua carreira veio do Comitê Olímpico do Brasil (COB), que lhe proporcionou a experiência do programa Vivência Olímpica. Nesse contexto, ele teve a oportunidade de treinar em Teahupoo, no Taiti, ao lado de surfistas que participaram da Olimpíada de 2024, e viajar para o Havaí.
Ryan estava ciente dos desafios para se classificar para as Olimpíadas, mas estava contente por ter a possibilidade de disputar uma vaga. Em 2023, ele também está participando do Mundial Pro Júnior da WSL, enquanto se prepara mentalmente para entrar no circuito principal em 2027, após um 2026 marcado por melhorias significativas.
Ele mencionou a importância de manter o foco, estabelecendo metas com seu psicólogo, incluindo a ambição de sempre alcançar as finais da Challenger Series. Ryan acredita que, ao acreditar em si mesmo e aumentar suas metas, está cada vez mais próximo de realizar seu sonho.

